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2010 – 2019: Profissionais da moda elegem os momentos que marcaram a década | FFWUOL

IRIS VAN HERPEN - Reprodução


Desfile de PLATOS ATLANTIS, de Alexander MacQueen, com Lady Gaga - Reprodução


A queda do prédio RANA PLAZA. Bangladesh/2013 - Reprodução


Fila na porta de umas das lojas mais importantes da SUPREME - Reprodução


Estreia de Virgil Abloh na direção da Louis Vouitton MEN - Reprodução


O estilistas Gosha Rubchinskiy no primeiro desfile da VETEMENTS na semana da moda de Paris com a camiseta que mudou a história da marca - Reprodução


BALENCIAGA por DEMNA GVASALIA - Reprodução


SNEAKER TRIPLE X BALENCIAGA


BACKSTAGE da HOOD BY AIR - Reprodução


Último desfile da GISELE - Sao Paulo Fashion Week- Verao 2016 Abril/2015 foto: Rafael Chacon/Agencia Fotosite


Ronaldo Fraga - SPFW - N42 - Ronaldo Fraga com casting Trans no SPFW/2016 foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE


Karl Lagerfeld - ao Lado de Cara Delevigne, em um dos desfiles mais importantes da CHANEL - Reprodução


Projeto Estufa - Aluf - SPFW N47 - AMIRA PINHEIRO - Foto: Zé Takahashi/ FOTOSITE


Agua de Coco - SPFW N46 - foto: Ze Takahashi / FOTOSITE


Greta Thunderberg em discurso na ONU - Reprodução


Valentina Sampaio na capa da Vogue Francesa - Reprodução


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O fim de 2019 marca também o final de uma década. Para registrar os principais acontecimentos na moda de 2010 a 2019, convidamos um grupo de profissionais para elencar os fatos que eles consideram mais marcantes na opinião de cada um e que ficarão como referência deste período.



Editores do FFW – AUGUSTO MARIOTTI + CAMILA YAHN



1 – Diretores criativos que marcaram a década



Lá na frente, quando olharmos para trás e lembrarmos da estética desses tempos, certamente vamos falar de Phoebe Philo, Raf Simons e Hedi Slimane. A Celine, na era Phoebe, foi uma das marcas mais influentes e copiadas do mundo que definiu uma nova imagem de feminilidade. Na moda masculina, Raf e Slimane fizeram história, derrubaram padrões e criaram novas estéticas. Eles se mantém honestos consigo mesmo de uma maneira incorruptível: Raf não queria o buzz todo da Dior e, após três anos, deixou a marca escolhendo se manter pequeno, porém livre. Phoebe preferiu sair de cena do que se transformar na personagem estrela e garota cool do Instagram para manter sua posição na Celine. E Hedi se mantém fiel à sua visão de estilo e como conecta música e moda, suas grandes paixões, sempre de olho no consumidor jovem. Eles também representam uma grande transformação na profissão. Antes estilistas, agora diretores criativos. Se antes, seu papel era apenas criar as coleções, agora os diretores criativos supervisionam 100% como a marca se mostra pro mundo. Eles redesenham logos, pensar as lojas, o conteúdo do Instagram, supervisionam a comunicação, fazem eventos pelo mundo, além de coordenar a criação de todas as linhas de uma marca.



2 – O streetwear mudou o luxo



Um dos acontecimentos que sem dúvida marcou essa década foi o fenômeno do streetwear, que veio na paralela com outro fenômeno, o do street style. Os dois se alimentavam um do outro e a moda não quis ficar de fora dessa festa. A turma do streetwear estava fazendo peças com cada vez mais qualidade e design, transformando roupas do dia a dia, como os moletons, em peças elaboradas e altamente desejáveis. Isso sem se preocupar com tendências, contratar bureaus de previsão de comportamento e outros hábitos da indústria. Eles trabalhavam com a escassez para manter alto o interesse pela marca: lançavam pequenas coleções limitadas (drops) com certa frequência e sem obedecer estações, de forma que cada lançamento era um acontecimento, causando filas na porta e detonando uma verdadeira febre por marcas de street. Supreme, Palace, Stussy, Vetements, Hood by Air, Pyrex, Off-White e até a Yezzy são os principais representantes desse segmento que influenciou e provocou o segmento de luxo a se transformar, a ponto de Demna Gvasalia parar na direção criativa da Balenciaga e Virgil Abloh na Louis Vuitton Men. Aqui no Brasil, vale citar marcas como Piet, Pace e High Company, que têm feito um trabalho consistente e de qualidade.



3 – Sustentabilidade



A maior virada da moda na década foi a mudança de mindset que aconteceu (ainda em andamento) em relação à práticas de trabalho. Isso envolve absolutamente todos os processos: como uma marca trabalha, quem são seus fornecedores, onde suas peças são produzidas, como ela trata seus funcionários, se há um pensamento inclusivo e igualitário seu quadro de colaboradores, o quanto gasta de água e produz de lixo, o quanto sua comunicação é transparente, só para mencionar alguns itens. Até então a gente não via (ou fingia que não via) os estragos que essa indústria estava fazendo não apenas em relação à poluição do meio ambiente, mas também em estimular um consumo excessivo e desnecessário até que, em 2013, caiu o Rana Plaza em Bangladesh, matando mais de mil trabalhadores que estavam lá, sob condições precárias, a serviço de marcas de fast fashion. Se é possível tirar algo bom de uma tragédia, foi o fato de que, a partir de então, surgiram movimentos ativistas globais como o Fashion Revolution, trazendo informação, educação e incentivando os consumidores a participar ativamente deste ato de mudança de comportamento. A sustentabilidade virou a palavra de ordem na moda e no mundo e tem na transparência, na inovação e nos consumidores conscientes seus maiores aliados.



4 – Diversidade



Chegou tarde, mas pelo menos chegou. É absurdo quando a gente pensa que, no início da década, praticamente não haviam modelos negras nas passarelas e campanhas. Não haviam outros tipos de beleza representadas tampouco outros tipos de corpos que não os magérrimos. Os mega desfiles da Victoria’s Secret ajudavam a propagar ainda mais um padrão de beleza inatingível. O fim desta década foi marcado pelo rompimento dos padrões estéticos da moda, inserindo na conversa mais pessoas do que modelos propriamente ditos, o que resultou na profissionalização do street casting, que hoje tem agências especializadas na busca por pessoas com belezas únicas, diferentes, estranhas e com personalidade. Meninas que parecem meninos e vice versa também começaram a aparecer mais nas passarelas, rompendo a barreira do gênero e abrindo um espaço que está também sendo ocupado por pessoas trans. Vale mencionar o destaque que profissionais como Lea T. e Valentina Sampaio tiveram na moda, conquistando grandes campanhas e capas de revista internacionais. Nas últimas duas temporadas do SPFW, a recordista de desfiles foi uma modelo negra e na edição deste semestre, as cinco meninas que mais desfilaram são afrodescendentes. Vale mencionar aqui o trabalho que Rihanna está fazendo com a Fenty, tanto na moda quanto na beleza. Com castings mais fluídos e representativos, as marcas conseguem se conectar com uma audiência mais ampla além de passar uma mensagem importante de não exclusão, algo que a moda falhou em fazer por muitas décadas. E como ela funciona como um espelho dos tempos, se o mundo muda, ela muda junto.



5 – Inovação



Naturalmente, um parágrafo é muito pouco pra complexidade desse item. A inovação e a IoT estão mudando nossas vidas radicalmente. Tanta coisa está sendo feita, mas a sensação é a de que estamos apenas no começo dessa jornada. Impressão 3D, materiais que simulam o couro criados em laboratórios, e-commerces com ferramentas cada vez mais inovadoras, como Realidade Aumentada, para que o consumidor possa ter uma ideia mais completa do produto antes de comprar, entrega feita por drones e robôs, comunicação e venda direta via redes sociais, wearables, roupas inteligentes que mudam de cor, armazenam calor e até carregam seu celular. A lista é grande e as possibilidades parecem infinitas. O fato é que a tecnologia aplicada a moda – em todas as suas vertentes – está mudando como a gente produz, consome e usa a roupa.



Diretor criativo da Modem e estilista da Bobstore – André Boffano



1 – Raf Simons na Calvin Klein



A ida de Raf para a Calvin Klein foi tão importante quanto a sua saída. A importância e a liberdade dada ao designer demonstrou a vontade de uma das marcas mais casuais americanas em se posicionar de forma forte e autoral no mercado de luxo. A forma como Raf deixou a marca foi um verdadeiro banho de água fria para quem ainda acredita que design e produto ainda podem fazer a diferença.



2 – O retorno de Hedi Slimane



Em 2012, após vários anos exercendo os seus talentos como fotógrafo, Hedi Slimane assumiu a direção criativa da Yves Saint Laurent com toda a liberdade para reinventar todas as lojas e a imagem da marca mundo a fora. Após um forte crescimento de vendas, uma saída tumultuada e um processo milionário ganho contra a marca, Slimane volta aos holofotes em 2018 sendo nomeado diretor criativo da Celine.



3- Fim dos desfiles da Victoria’s Secret



Nos últimos cinco anos, a busca por diversidade fez com que o luxo, tradicionalmente elitista e sem espaço para corpos não-magros, mudasse e fosse obrigado a se adaptar às exigências de uma nova geração de consumidores. Em 2019, a marca Victoria’s Secret marcou para sempre a sua história com o fim de seus desfiles, demonstrando a inflexibilidade da marca em se adaptar aos novos tempos.



4- Abolição do uso de peles



Desde 2016, quando o Grupo Armani anunciou o fim do uso de peles animais nas coleções, o movimento cresceu e hoje os principais players da moda mundial se posicionaram da mesma forma, mostrando a importância da preocupação ambiental que envolve hoje todo o mercado. Mais recentemente neste ano, a Califórnia se tornou o primeiro estado americano a abolir a venda de peles.



5- A década das Influencers



Na década em que, mais do que nunca, imagens valeram mais do que mil palavras, as blogueiras e posteriormente “digital influencers” se tornaram as novas comunicadoras de um mundo onde a busca por uma boa foto em redes sociais se tornou mais importante que a própria vida real.



Jornalista – Antonnia Petta

1 – A criação do Instagram



Ele apareceu na App Store da Apple no dia 6 de outubro de 2010. Rapidamente, se tornou uma das maiores comunidades fashion do globo, com a proposta sexy de uma plataforma de natureza visual com experiência descomplicada: uma janela para a exposição do corpo vestido (o corpo desnudo, afinal, já estava mais do que banalizado on-line). Em 2016, o aplicativo passou ser orientado por um algoritmo, abandonando a ordem cronológica de postagens do feed – movimento que passou a fazer a seleção robótica do que é mais relevante para cada usuário, entregando a ele o que, discutivelmente, seria de seu maior interesse. Isso em um mundo em que, na bigger picture, a tecnologia passou a ser usada para travestir a confortável promessa de curadoria de interesses com intenções de venda, influência e, na pior das hipóteses, enganos premeditados a favor da desinformação.



2 – O culto da privacidade como luxo, no lugar da superexposição



Ideia que, na moda, foi verbalizada em uma frase célebre de Phoebe Philo em 2013, quando era ainda a criadora à frente da Céline: “a coisa mais chique é quando você não existe no Google”. Na ocasião, isso já não era mais viável para a estilista, mas refletia de certa forma seu ponto de vista sobre a moda. Phoebe sempre foi relevante sem ser superexposta, reservada sem ser esnobe, talentosa sem o aval de likes – maior prova disso é que, diante da pressão pela presença digital de marcas e do processo de transmutação de estilistas em celebridades, foi só em 2017 que a Céline aderiu ao Instagram. Mesmo ano em que a estilista deixou seu cargo à disposição na grife francesa.



3 – Desfiles de moda com portas abertas



Se hoje há profissionais especializados em criar conteúdos perecíveis em coberturas de shows feitas para durar, especificamente, a magia de 24 horas, há quase uma década Alexander McQueen se tornava o primeiro estilista a decidir que um grande desfile do circuito NY-Londres-Milão-Paris seria transmitido ao vivo para o mundo todo. Foi com a coleção “Plato’s Atlantis” que esse pioneirismo quase deu certo: no momento em que Lady Gaga tuitou o link, anunciando que sua faixa “Bad Romance” seria a trilha sonora, o site, sobrecarregado, saiu do ar. Ter um milhão de followers, naquele tempo, era um big deal para uma celebridade. Ainda sim, seguindo o caminho traçado por plataformas como o SHOWstudio de Nick Knight, promover vídeos ao vivo para um evento fashion tido tipicamente como exclusivo foi notícia – imagine você que, nessa época, ainda ouvíamos aplausos ao final dos desfiles (atualmente são silenciados, já que não dá para bater palma segurando um smartphone).



4 – O suicídio de Alexander McQueen



Porque nos mostrou a fragilidade da criatividade. E a complexidade emocional que há dentro de um criador, muitas vezes mantida à sombra do que ela é capaz de entregar quando se torna produto – esse sim, objeto de atenção, estudado na minúcia, celebrado. Fato é que na última década vários estilistas escolheram não viver mais, de alternativos off-circuito a empreendedores. A lista inclui L’Wren Scott, Kate Spade e, no Brasil, Clô Orozco. Ainda que sejam preservadas as motivações individuais de cada um, todos eram criadores de moda que tinham em comum o perturbador fator anti-natural de uma interrupção premeditada.



Stylist e consultor – Daniel Ueda



1 – A Hegemonia do Streetwear e do Sportswear



Nesta década, o luxo se transformou e os padrões estabelecidos foram completamente mudados. As influências da moda vinda das ruas e dos esportes revolucionaram a estética do mercado de luxo. Um dos principais exemplos da década, foi a collab entre Louis Vuitton e Supreme, e a febre dos sneakers.



2- Phoebe Philo & Céline



Nesta década, a designer Phoebe Philo conseguiu transformar a Céline em uma das marcas mais desejadas e copiadas. Após 10 anos à frente da marca, Phoebe sai, deixando um dos legados estético mais importantes da década.



3 – A última passarela de Gisele



Após 20 anos de carreira, a última das supermodels faz seu último desfile em 2015 durante o SPFW.



4 – See now, buy now



Graças às redes sociais e a agilidade de informações e imagens entregues ao consumidor final, grande parte da indústria da moda fez uma tentativa frustada de oferecer de forma imediata produtos recém lançados.



5 – A década do Instagram



Nesta década, com a propagação das redes sociais, em especial o Instagram, toda a forma de comunicação, principalmente voltada para a moda, foi radicalmente mudada. As marcas tiveram que se adaptar ao novo formato e ao surgimento dos influencers.



Diretora executiva do Fashion Revolution Brasil – Fernanda Simon



1 – Queda do Rana Plaza



No dia 24 de abril de 2013 um acidente abalou o mundo, o edifico Rana Plaza, em Bangladesh, que abrigava diversas confecções de roupas, desabou deixando mais de mil mortos e mais de dois mil feridos. O acidente foi o ponto de partida para que profissionais se unissem para criar o Fashion Revolution, movimento global que incentiva transparência, sustentabilidade e ética na indústria através da sensibilização, informação e mobilização.



2 – Ação Fashion Experience



Em 2014 o Fashion Revolution chegou ao Brasil e começou a mobilizar uma rede em prol de mudanças positivas na indústria da moda nacional. Em 2016, com o objetivo de sensibilizar cidadãos que desconheciam os impactos do setor, aconteceu a ação Fashion Experience, instalação na avenida Paulista que simulava uma confecção de costura em situação precária. Vejam aqui.



3 – Amazônia em chamas levanta questões sobre produção de moda



A floresta Amazônica é um tesouro mundial, abundante em vida com rica biodiversidade e conhecida como pulmão da humanidade, porém este ano assistimos a floresta pegar fogo por motivos de interesses econômicos. E o que a moda e o consumo têm a ver com este acontecimento? Muito! A floresta está ameaçada principalmente por motivos que fazem parte do nosso cotidiano, a produção de gado (somada ao cultivo de soja para alimentar rebanhos bovinos) é o principal motivo de desmatamento, então é essencial repensar sobre a procedência, uso e consumo do couro na moda.



4 – Greta discursa na ONU e mobiliza jovens por justiça climática



A ativista sueca Greta Thunberg disse em seu emocionante discurso na ONU: “O mundo está acordando e a mudança está chegando, quer você goste ou não”. Ela mobilizou milhares de jovens ao redor do mundo que estão cada vez mais se engajando nas pautas que envolvem Mudanças Climáticas, reforçando que o setor da moda, da produção ao consumo, faz parte do problema e agora necessita ter pressa para ser parte da solução.



5 – Lançamento da segunda edição do Índice de Transparência da Moda Brasil



Eu destaco o lançamento da segunda edição do Índice de Transparência da Moda Brasil, projeto realizado pelo Fashion Revolution que analisa 30 das maiores marcas nacionais de acordo com a disponibilização de dados públicos em seus canais, uma ferramenta para auxiliar quem deseja ter informações de qualidade sobre o assunto.



Estilista – Isaac Silva



1 – A entrada de Olivier Rousteing na direção criativa da Balmain em 2011, aos 25 anos. Foi o primeiro estilista de ascendência negra (e também um dos mais jovens) a assumir esse posto no mercado de luxo.



2Virgil Abloh fundou em 2013 a marca de streetwear Off-White. Em 25 de março de 2018, Virgil foi nomeado diretor artístico de moda masculina da Louis Vuitton, mostrando pela primeira vez um profissional negro e sem educação formal em moda a ocupar este cargo.



3Meu primeiro desfile em 2015, trazendo questões de como se fazer uma moda com mais amor e Axé com representatividade, pensar em como produzir e oferecer estas novas roupas ao mercado.



4 – O entendimento do setor como uma grande indústria poluidora, provocando uma reflexão e a pensarmos em como agir, como fazer uma moda mais sustentável e com menos impacto ao planeta.



5 – A responsabilidade de todo o sistema para tornar a moda mais inclusiva e acabar com os preconceitos como o racismo, a gordofobia, entre outros, que existem neste grande mercado fashion. Isso tem motivado as marcas a mudarem a maneira como falam com as pessoas reais, que dizem: “se não me vejo, não compro!”. Isso está mudando a forma de se pensar e consumir moda.



Diretora da Dacri Deviati e curadora do Projeto Estufa – Olivia Merquior



1 – O impacto das redes sociais na construção de narrativas diversas na moda



Os aplicativos americanos abriram o verbo de seus usuários que reivindicaram novos olhares na hierarquia do mercado de moda. Aqui, eventos como Virgil na Louis Vuitton, Demna na Balenciaga, o caso Donata, Kerby Jean-Raymond no BoF 500, Beyonce x Anna Wintour (Tyler Mitchell) foram destaques. Aqui também é importante incluir a estreia da Angela Brito e do Isaac na última edição do SPFW.



2 – A dicotomia entre a alta dos discursos de sustentabilidade x o boom dos sneakers e do luxo de massa



Enquanto o mundo clama por formas mais conscientes de consumo, os grandes conglomerados de luxo e fast fashion, como o grupo LVMH e Inditex, registraram lucros recordes. A ideia de luxo de massa principalmente no mercado de streetwear foi um dos grandes responsáveis por essa alta lucratividade. O consumo desenfreado com apelo de comunidade nos fez surpresos com as filas nas lojas Gucci, Supreme, Louis Vuitton e Balenciaga.



3 – A reinvenção do mercado editorial de moda: a transformação das revistas em marcas, editores como CEOs, fechamento Elle, o boom das influencers



Jornalistas transformados em gestores financeiros. Uma vez que a validação das tendências passou para as redes sociais, o cargo de diretores de redação deixou de ser uma função estética e sim financeira.



4 – A digitalização dos negócios



Nessa década, vivemos a confirmação do hibridismo físico-digital. Isso fez do celular figura central no cotidiano. O desenvolvimento de plataformas de varejo online e economia compartilhada nos fez repensar a relação das marcas com seus clientes. Logística se tornou ponto fundamental.



5 – Projeto Estufa



Esse projeto representa essa necessidade do mercado em fomentar novas visões de diferentes formas que pensam a sociedade e a moda de maneira prospectiva. O ponto alto foi a introdução do Estufa no SPFW, mas também todas as iniciativas do prêmio LVMH e os prêmios relacionados ao fomento de novos talentos e novas ideias pro mercado de moda.



Estilista – Ronaldo Fraga

1 – A morte de Karl Lagerfeld, terminando assim com a era dos grandes estilistas e dando força aos estúdios de criação e direção de arte e collabs na moda. Karl simboliza o fim dessa era, de quando o estilista mandava e desmandava, era o dono da alma. A alma agora é feita por muitos.





2 – A perda total do direcionamento imposto pelas micro tendências. Isso é ótimo porque na década passada, as tendências partiam dos grandes industriais pra vender a cor, o fio e hoje é o inverso. Pra vender o fio, a cor, a roupa é preciso estar de olho nos movimentos do mundo e a moda teve que voltar pra escola e sentar com outras ciências. Antes ela ficava ali sozinha, quando muito dialogava com as artes visuais. Hoje precisa fazer trabalho em grupo com a ciência, a ecologia, a sociologia, a política… É um momento difícil porque tudo é novo. Foi mexido nas estruturas a forma de pesquisar, comunicar e vender.



3 – A moda passa a refletir posições e anseios das chamadas minorias periféricas e diversidade vira a palavra e a macrotendência da década.



4 – O Instagram vira a nova loja/vitrine para a moda.



5 – A moda se liberta da roupa e começa a estabelecer diálogo com outras frentes. O desfile da minha coleção “El dia que me quieras”, que falava de transfobia, foi um exemplo disso. Pela primeira vez, jornalistas não me perguntaram sobre o tecido, a cor ou a forma apostada na coleção.



6 – Práticas de re-uso ou upcycling ganham nova roupagem e vão parar no centro das passarelas.

Reprodução: FFW

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