A disruptiva Marina Dias, musa de Mario Testino, Karl Lagerfeld, Fendi, Vogue e agora VAM Magazine

Quem tem o mínimo de intimidade com a moda certamente conhece o nome Marina Dias. A disruptiva, feminista, de pele clara, cabelos escuros e inúmeras tatuagens espalhadas pelo corpo foi musa de Mario Testino, Karl Lagerfeld, Rankin, Phillip Lorca, Alexandre Herchcovitch e Lino Villaventura. Foi destaque em páginas das revistas mais conceituadas do globo – Vogue, Visionaire, The Face e i-D foram só algumas… Desfilou pra Fendi, Sonia Rykiel e praticamente todos os estilistas nacionais. Marina perpetuou seu nome na história da moda brasileira, mas não parou por aí.

Entre um trabalho e outro, ainda se tornou apresentadora de TV no canal GNT, falando de algo que ela também entende: beleza. Apaixonada por arte e música, não demorou muito pra ela enveredar pelos caminhos noturnos (ela A-M-A a noite) e virar DJ. Mas não pense que era apenas hobby, Marina se tornou uma das mais respeitadas e conhecidas na concorrida noite paulistana. Hoje faz parte de um coletivo de DJs chamado “De Polainas” e toca seus sets no país inteiro.


Nessa entrevista com o editor chefe VAM, Antonnio Italiano, Marina comenta também sobre a liberdade e escolha de não ser mãe, onde responde: "É um assunto que passou a ser debatido entre as mulheres só agora. A gente nunca teve liberdade de escolha.

A gente tinha um propósito, que era casar e ser propriedade de um homem e ser mãe pra se sentir realizada. Esse debate sobre ser mãe, sobre querer ser mãe, sobre ser aceita ou não, por não querer ser mãe, é um debate muito contemporâneo. Acho que eu tenho orgulho de ter começado a questionar esses padrões lá atrás quando eu não quis ser mãe. quando eu não achei que a minha realização pessoal viria da maternidade, e eu estava certa. Ser mãe deve ser incrível mas não é para todas. Ah, e claro, sem deixar o estilo de lado. Afinal, Marina Dias é a perfeita junção entre música e imagem. É só dar uma olhada nas fotos que Corvina posa para a VAM Magazine, pra ver que é a mais pura verdade. Leia a entrevista exclusiva abaixo:

VAM: Mario destino, Karl Lagerfeld, Phillip Lorca, Alexandra Hercovitch, Versace, Dior… e mais! VAMos começar a entrevista descobrindo um momento marcante quando trabalhou com esses gigantes do mundo fashion. Escolha e comente: Comecei no Brasil com Alexandre Herchovicth no desfile de formatura dele. Foi minha primeira experiência com moda. Meu pai era fotografo então experiência com fotografia eu já tinha mas foi minha primeira experiência com desfile.

Em 98 o ranking veio de Londres fotografar a Dazed e chamou o César Fascina pra fazer o Styling que me chamou. Foi minha primeira capa e minha primeira experiência com moda internacional. Depois disso eu virei modelo internacional e fiz minha primeira coleção(circuito de desfiles NY-Milao_Londres-Paris)e nessa primeira coleção eu fiz o meu primeiro trabalho com o Mario Testino, que foi quem me apresentou pro mercado de moda de luxo internacional, fotografando The Face, Vogue Inglesa, depois disso foi uma sequência.

Trabalhei com os melhores fotógrafos e tive a honra de estampar algumas campanhas que me proporcionaram contato com pessoas que eu admirava muito. Karl Lagerfeld para Fendi, Sonia Rykiel e Thierry Mugler entre outros.

VAM: Marina na sua opinião, que mudou na moda internacional desde quando iniciou a sua carreira? Você tem vontade de voltar às passarelas? Muita coisa mudou da minha época até hoje.

muitas coisas hj são debatidas que não eram debatidas antes.

A gente tem uma quebra de padrões que antigamente não existia, hoje em dia a gente debate esses padrões e fala desses assuntos que são tão pertinentes. A moda tem tentado se desconstruir e reconstruir de uma forma bem bonita.

Com relação aos desfiles, eu nunca parei realmente de desfilar. eu parei de fazer as coleções internacionais, e a gente deu um tempo por causa da pandemia mas eu ainda sinto muito prazer em desfilar e obviamente que adoraria fazer as coleções internacionais de novo. Mas o dolar tá o que? caro rs

VAM: Na moda nacional, quais as marcas e designers, que se identificam com a sua essência?Gente que faz um trabalho de upcicling tem a minha atenção, porque eu acredito realmente que existe um futuro na moda aí…

Eu cito À la Garçonne que faz esse trabalho com maestria há bastante tempo. Existem alguns outros estilistas, jornalistas, editores que tem essa preocupação, de onde veio e para onde está indo toda essa roupa que a gente está produzindo.

E eu particularmente tenho um estilo bem clássico com toques de fetiche, então eu gosto de coisas bem básicas e que vão durar muito.

VAM: Qual foi a sua maior dificuldade como profissional? E qual a sua maior conquista pessoal até hoje? A minha maior dificuldade como profissional foi o fato de eu ter começado há quase 30 anos atrás numa época em que eu representava era uma quebra de padrão e era considerada disruptiva. Porque eu era tatuada numa época que ser tatuada ainda era um tabu.

Eu acho que a minha maior conquista pessoal é a minha liberdade, com ela consegui me libertar de ideias preconcebidas a respeito do que é ser mulher o que é ser uma força feminina dentro de uma sociedade e dentro de um mundo tão masculino. Nesse mundo que aprisiona as mulheres de tantas formas.

Ser livre foi a minha maior conquista.

VAM: DJ como profissão, se tornou uma das mais requisitadas e reconhecidas na noite Paulistana. Marina, conte para a VAM como iniciou isso tudo? E o que toca na sua playlist?

Música, moda e arte sempre estiveram na minha vida. Meu pai era fotógrafo e minha mãe é musicista e artista plástica! Então tá tudo aí nesse meu berço!Tirando isso eu fui uma adolescente apaixonada por clube apaixonada por sair para dançar, comecei a sair dançar muito cedo na matinê com ainda 13 anos.

Cresci junto com a cultura clubber de São Paulo no final dos anos 90, e até hoje gosto de sair pra dançar num lugar fechado com luz e fumaça de preferência de óculos escuros. Da pista pra cabine foi um processo mas foi uma das melhores coisas que eu já fiz. A Troca de energia entre dj e pista é o que mais se aproximou pra mim da emoção da passarela.

Meu set depende muito …mas eu transito entre o house o techno e o electro, eu vou com a pista…

Então tem um pouco de tudo! Tem que ouvir e dançar pra saber!

VAM: A cultura e arte do Brasil está cada vez mais deixada de lado, para não falar esquecida. Como percebe o incentivo e o consumo dela pelos governantes e pelo povo que vive nesse país.

Nos últimos anos, e especialmente nesse último governo a gente tem um entendimento de arte e cultura completamente distorcido. Como se arte e cultura fosse uma pauta de esquerda ou direita e não uma maneira de se fortalecer como nação.

Um povo que consome arte é um povo que debate. um povo que debate é um povo que não se deixa enganar, obviamente esse governo não quer que a gente pense e muito menos que a gente debata.

VAM: Aos 40 anos estampou a Playboy. Ao mesmo tempo em que falamos sobre corpos livres, muitos procedimentos estéticos estão surgindo. Na sua avaliação, existe aceitação ou dependência a se encaixar nos padrões? Eu acho muito difícil falar sobre procedimentos estéticos falar sobre beleza falar sobre aceitação e padrões.

A gente esbarra em vários assuntos delicados como a auto imagem e auto estima, acho que existe um caminho do meio entre a aceitação e os procedimentos.

Eu acredito que a beleza não é só estética e que comer bem viver bem ser feliz e tentar aproveitar ao máximo todas as oportunidades que a vida te der são o que te fazem brilhar, acho que é isso. Beleza tem menos haver com o espelho e mais com como você se sente! Acredito em beleza natural. Acredito em ser pró idade envelhecer bem mas acredito em procedimentos também, para manter o que a natureza me deu por mais tempo, mas ainda, respeito qualquer decisão de todas as mulheres. Só a gente sabe das nossas dores e delicias como disse o poeta.


VAM: Multitalentosa, apresentou o GNT falando de algo que também entende: Beleza. Corvina, acredita que exista definição para “beleza? Como cuida do seu corpo e mente? A definição de beleza pra mim: é ser feliz na própria pele, mas o desafio da beleza (nome do programa que eu apresentei) falava sobe expertise em maquiagem.

Sobre rotina de beleza a gente pode lançar um novo programa! vamos?!

VAM: Marina com 15 anos já tinha noção do feminismo? Quem era Marina lá atrás? Mudou? Como criar novos pensamentos de mulheres que não buscam entender sobre a causa? A Marina lá atrás queria ser diferente das outras pessoas. Queria falar muitas línguas e viajar o mundo. e conhecer culturas diferentes.

A essência da Marina pequena ainda está aqui e agora muito mais segura, muito mais calma.

e muito mais centrada.

E pras meninas que querem estudar o feminismo temos autoras incríveis que uma pesquisa qualquer da internet vai te informar.

VAM: Você perdeu trabalhos por motivo das tatuagens? Eu sempre digo que as tatuagens me abriram e fecharam portas. Obviamente que muita coisa comercial, muita coisa que não era fashion foi difícil naquela época de ser conquistado. mas ao mesmo tempo eu tive oportunidade de trabalhar com gente muito legal, pessoas que tem uma cabeça muito aberta e uma visão de mundo muito parecida com a minha.


VAM: “Toda mulher é questionada quando escolhe não ter filhos”, sua resposta em outra entrevista. VAMos falar da liberdade dessa escolha?

Liberdade de escolha é um assunto que passou a ser debatido entre as mulheres só agora. A gente nunca teve liberdade de escolha. A gente tinha um propósito, que era casar e ser propriedade de um homem e ser mãe pra se sentir realizada.

Esse debate sobre ser mãe, sobre querer ser mãe, sobre ser aceita ou não, por não querer ser mãe, é um debate muito contemporâneo. Acho que eu tenho orgulho de ter começado a questionar esses padrões lá atrás quando eu não quis ser mãe. quando eu não achei que a minha realização pessoal viria da maternidade, e eu estava certa.

Ser mãe deve ser incrível mas não é para todas.