A Imagem como posicionamento: A estratégia de Larissa Lessa
- VAM Magazine

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Para a especialista, a elegância nasce da clareza e do alinhamento entre quem a mulher é e a imagem que ela sustenta para o mundo.

A imagem não nasce da roupa, nasce do alinhamento. Essa é a premissa que guia os 26 anos de trajetória de Larissa Lessa. Com um olhar atento que prefere a escuta à interpretação imediata, ela defende que o guarda-roupa não deve ser uma fantasia, mas uma extensão da identidade atual de cada mulher.
Para Larissa, a moda é um ecossistema vivo que conecta comportamento, rotina e cultura. Nesta conversa, ela detalha como a clareza substitui o excesso, por que o sucesso exige códigos pessoais em vez de uniformes, e como a imagem, quando alinhada à essência, torna-se uma ferramenta de autonomia e poder silencioso. Veja a entrevista abaixo!
Entrevista

Como funciona o seu processo criativo e por onde você começa a construir uma imagem? Começo sempre pela escuta. Escuta do discurso, do corpo, do ritmo e do momento de vida daquela mulher. A imagem não nasce da roupa, nasce do alinhamento. Quando a mulher entende quem ela é hoje — e não quem foi ou quem acha que precisa parecer — o guarda-roupa deixa de ser fantasia e passa a ser extensão. Meu trabalho é revelar, não inventar.
O que 26 anos de carreira te ensinaram sobre o conceito de elegância? A maior lição desses 26 anos é que elegância não se constrói com excesso. Ela nasce da clareza. Pessoas verdadeiramente elegantes não precisam provar nada — elas apenas sustentam quem são. A maturidade traz essa consciência: menos ruído, mais intenção.
Como você enxerga a relação entre a vestimenta e o sucesso profissional? Não acredito em uniforme do sucesso. Acredito em códigos pessoais. Cada mulher ocupa um lugar diferente no mundo, com responsabilidades, repertório e objetivos próprios. O sucesso se comunica quando a imagem está coerente com esse lugar. Quando isso acontece, a roupa trabalha antes da palavra.
Qual a sua visão sobre consumo e o mercado de luxo atual? Ter estilo nunca foi ter muito. Luxo, hoje, é saber escolher. Um closet bem pensado reduz o excesso, otimiza o tempo e aumenta a confiança. Meu papel é ajudar a mulher a investir em peças que façam sentido para a sua vida real — com qualidade, permanência e sofisticação silenciosa.

De que forma a imagem externa impacta a força interna de uma mulher? Já vi muitas viradas começarem pela imagem. Não porque a roupa muda tudo, mas porque ela ajuda a mulher a se posicionar de forma mais clara. Quando a imagem externa acompanha a força interna, a postura muda — e as oportunidades respondem. É um efeito quase imediato.
Como você equilibra o repertório internacional com a realidade da mulher brasileira? Paris e Milão ensinam sobre estrutura, proporção e tempo. O Brasil ensina sobre presença, corpo e luz. O meu trabalho está justamente nesse encontro: traduzir o chic europeu para uma linguagem possível, elegante e verdadeira para a mulher brasileira — sem caricatura, sem esforço.
Qual a importância da cor na mensagem que transmitimos? A cor fala antes da gente. Ela pode aproximar, impor respeito ou suavizar uma presença, mesmo sem nenhuma palavra ser dita. Quando a mulher entende o que realmente faz sentido para ela — o que ilumina, o que sustenta, o que não pesa — as escolhas ficam mais naturais. Não é sobre seguir regras, é sobre percepção. A cor certa reforça presença, clareza e autoridade de forma silenciosa.
Como manter a autenticidade na era das redes sociais e das tendências rápidas? Hoje a imagem digital chega antes da física, e isso exige coerência. Tendências passam rápido, filtros passam mais rápido ainda. O que permanece é identidade. Elegância, inclusive no digital, está em constância, narrativa e verdade. Autenticidade virou um dos maiores luxos do nosso tempo.
Como é o seu estilo pessoal e como você gere sua rotina? Eu aplico exatamente o que ensino: escolhas claras, peças-chave e planejamento. Meu estilo precisa acompanhar minha rotina, não competir com ela. Quando o closet funciona, a imagem sustenta a performance — mesmo nos dias mais intensos.
Para encerrar, qual a mensagem principal que você deseja deixar através do seu trabalho? Quero que as mulheres entendam que imagem não é vaidade, é posicionamento. Vestir-se bem é um ato de consciência, não de comparação. Quando a imagem está alinhada à essência, ela se torna uma ferramenta de presença, autonomia e poder silencioso — e isso permanece.
Manifesto Larissa Lessa

"Meu trabalho nasce do olhar atento. Da escuta que percebe antes de interpretar. Da sensibilidade para entender o tempo, o corpo, o contexto e o que pede leveza.A moda, para mim, é um ecossistema vivo. Ela conversa com comportamento, com rotina, com cultura, com silêncio. Nada existe isolado. Tudo se conecta. Não acredito em fórmulas prontas. Acredito em percepção. Em escolhas feitas com consciência, sutileza e intenção.Ao longo da minha trajetória, entendi que estilo não é excesso. É coerência. É quando a imagem sustenta quem você é, sem esforço. Ser referência nunca foi sobre aparecer mais. Sempre foi sobre iluminar caminhos. Ser farol de ideias é ajudar o outro a enxergar com mais clareza. Para mim, o maior luxo é ser autêntico. De verdade. E vestir isso, todos os dias."




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