A mensagem por trás da música "Indestrutível" de Pabllo Vittar

Acho curioso como a música pop muitas vezes é tida como rasa, com mensagens pouco relevantes, quando a verdade é que existem diversas músicas pop que traduzem com bastante eficácia como nos sentimos em algum momento particular de nossas vidas. Nesse sentido, a música "Indestrutível" da Pabllo Vittar revela os pensamentos conflitantes de dor e esperança de quem se sente vulnerável ou excluído, a luta de se manter são em um mundo cão.

Phabullo Rodrigues da Silva, mais conhecido pelo seu nome artístico Pabllo Vittar, sabe o que é ser marginalizado e ridicularizado por ser quem se é, no seu caso um homossexual afeminado e drag queen. São essas vivências que lhe permite cantar com tanta emoção e honestidade "Indestrutível". Sua verdade nos toca em aspectos muito sensíveis para a grande maioria de nós, humanos, como o medo da rejeição e a dor da perda. Além de evocar a fé e a esperança para conseguirmos lidar com as angústias da vida.


A música funciona como uma oração moderna e jovem, com linguajar simples mas de fácil identificação. Parece ler os pensamentos de alguém que sofre, chora, pede para a dor ir embora, reconhece que não é fácil mas com a crença de que "tudo vai ficar bem" e ao final aquelas vivências nos tornarão mais fortes.


Ouvindo "Indestrutível" rapidamente relacionamos sua letra com grupos marginalizados, mais susceptíveis a fragilidades sociais como travestis, prostitutas, favelados, moradores de ruas, entre tantos outros para quem a fé de dias melhores, ou mesmo momentos apenas, chega a ser quase seu único alimento para a alma, para proteger da loucura.


Entre os aprendizados que a pandemia trouxe é que estamos todos sujeito ao sofrimento. A dor é universal e qualquer pessoa, que tenha passado por momentos de extremo desespero e angústia, pode também facilmente se identificar com a letra.


Para lidar com esse sofrimento, que muitas vezes é inerente à condição humana, Pabllo nos faz uma proposta desafiadora: transformar a dor em amor. Mas que amor seria esse? Amor para quem nos faz mal, amor com nós mesmos, amor pelas nossas vivências, amor como um ato de rebeldia e resistência. Para Pabllo, é esse amor que nos tornaria indestrutíveis. E tendo a concordar: em um mundo tão cheio de ódio, amar nunca se fez tão urgente.