Célio Dias, fala sobre o seu processo criativo, os inúmeros degraus até chegar na SPFW, e mais...

Célio Dias, nome à frente da LED, marca de roupas agenero, vem fazendo história no cenário fashion nacional. Mineiro de Caratinga, o designer fala na entrevista VAM sobre seu processo de empreendedorismo, momentos de criação, e claro, os inúmeros degraus até chegar na São Paulo Fashion Week. Vem conhecer mais sobre a marca que está fazendo sucesso no nosso país. Acesse a entrevista completa no story ou link do perfil @vammagazine


Por Bárbara Pereira, Colunista de moda e tendências

VAM: Li que na sua cidade, sua família era considerada de classe-média-alta. E que apesar de sofrer Bullying por ser gay, era mais aceito pela sociedade de lá por pertencer a uma classe social mais emergente. Você sentiu diferença quando veio morar em São Paulo? Sentiu as pessoas mais empáticas à sua causa?

Sim venho de uma família que sempre me deu todo suporte para que eu pudesse ir atrás dos meus sonhos e construir a minha história. Sai de casa aos 15 anos para morar em Juiz de Fora terminar o ensino médio e em seguida começar minha faculdade em moda. Tive uma base familiar incrível e pude ser quem eu sempre quis ser. Acho que eu sempre fui aceito desde quando me assumi por que aprendi cedo a questionar em impor e isso sem duvidas é uma das minhas maiores virtudes, sempre fui muito confiante e consciente que era um homem gay.

Quando fui morar em São Paulo eu já tinha levado minhas bandeiras para a LED e isso é uma marca registrada no meu trabalho, falar sobre a sociedade em que vivemos e levantar questões que devem ser discutidas. Sinto que ainda falta informação e entendimento sobre privilégios e isso em qualquer lugar. Precisamos praticar mais o lugar de escuta e estar aberto para as pessoas sempre.


VAM: Você saiu de Caratinga-MG, sua cidade natal, e foi estudar Moda em BH na FESJF. Depois disso, veio para São Paulo. Quais os motivos que o levaram a sair de Minas e ir para SP?

Saí de MG e morei em São Paulo durante três anos, que foram bem importantes para o meu crescimento profissional. Hoje com a abertura da nossa primeira loja aqui em BH voltei a morar aqui e fico no bate e volta para SP. São Paulo me proporcionou oportunidades incríveis e ainda proporciona, mas eu como um bom mineiro sentia falta de me sentir em casa, ainda quero voltar a morar por SP mas sinto que nesse momento preciso estar por aqui perto de onde tudo começou.


VAM: Como a LED chegou no Minas Trend? O que você leva de aprendizado do evento?

Participamos do Ready To Go, um concurso para jovens marcas como a LED e ganhamos, a partir daquela edição começamos a fazer parte do salão de negócios do evento e em seguida tivemos um desfile na edição. Mas eu aprendi que o SPFW tinha mais a ver com o meu momento e o meu tamanho, então participamos do TOP5 em seguida do projeto estufa e agora integramos o line up oficial.

VAM: Como foi a adaptação quando saiu de Minas para vir morar na capital paulista?

Foi turbulenta, mas nada tão diferente na minha vida, mas foi uma boa adaptação. Acho que São Paulo tem seu charme e seus encantos, mas também senti muita diferença entre a qualidade de vida que eu tenho em MG e em São Paulo. Então é um caso entre tapas e beijos. Mas foi muito bom para o meu crescimento.


VAM: Trabalhou em quê quando chegou em São Paulo?

Trabalhei com a LED e sempre foi minha prioridade, mas também fiz alguns trabalhos de publicidade, consultoria e criação de imagens para outras marcas. Trabalhos que realizo paralelamente a LED.


VAM: Como recebeu o convite para a SPFW? Você nota que saiu da sua zona de conforto indo para a SPFW? Comente.

Participei do TOP5 um projeto que veio do SEBRAE não foi exatamente um convite foi uma seletiva, depois fui convidado a integrar o PROJETO ESTUFA e em seguida fui convidado para integrar o LINE UP oficial do evento. As coisas foram acontecendo e evoluindo juntas. Acho que foi um processo em que enxergaram em mim não só moda mas também o poder de um discurso. Moda também pode ser um mecanismo de informação e a partir disso de liberdade então é nesse ponto que acredito e o evento também.



VAM: Você sempre disse que suas maiores inspirações são a sua mãe e a sua avó. Vejo a LED tendo uma moda muito cosmopolita. De onde mais você tira as suas inspirações além da sua família?

Minha família é sem duvidas o reflexo do meu caráter e de tudo que eu sou hoje. A LED é para falar sobre liberdade de ser e usar o que quiser. Não me pauto obrigatoriamente em tendências que o sistema coloca, minha inspiração vem de muitos momentos da minha vida e sobre o que acho importante discutir com a sociedade naquela coleção.


VAM: A moda sem gênero é uma característica da marca. Você acredita que ela veio para ficar e mais marcas irão aderir? E o que inspira as suas criações?

Eu acho que não devemos pautar roupa em gênero, são coisas diferentes, devemos pautar a moda em liberdade para que a pessoa use o que se sinta bem de usar. Acho que as marcas deveriam reforçar isso pois moda é onde devemos nos sentir bem com a nossa identidade então por que não deixar que a roupa seja livre.


VAM: Hoje a LED vive uma época de moda colaborativa onde marcas amigas se ajudam, tornando-se parceiros até virar algo realmente grande. A LED planeja mais parcerias com outras marcas e o que podemos ver nas próximas coleções?

Planejamos parcerias sempre e acreditamos na união de marcas para expandir o universo da marca. Eu acredito muito que seja um caminho possível, sou aberto e adepto a colaborações com marcas e artistas e isso é muito gostoso de fazer e de ver acontecendo. Veremos isso em mais coleções com certeza por que tem muitos caminhos que quero me aventurar.


VAM: Mercado fashion: Como você percebe a situação da moda após a pandemia? E qual foi a sua maior dificuldade nesse momento de covid-19?

A moda no Brasil hoje precisa de investimento estamos contando uma história de identidade de moda nacional e vem de marcas pequenas como a LED talvez estejamos recuperando algo do nosso passado que eu acredito que a internacionalização do mercado fez com que a história se perdesse. Vejo em criativos como eu uma vontade muito grande de fazer mais, porém falta investimento e apoio. Imagina quanta potência temos no Brasil.

Pós pandemia eu acredito que devemos propor mais trocas entre marcas para fortalecer o movimento de moda no Brasil.

Tivemos e ainda temos diversas dificuldades uma delas é como eu já pontuei a falta de ajuda e investimento, ainda mais com o governo que temos na atualidade então continuar foi realmente um ato de coragem e ainda bem que temos nossa comunidade para nos fortalecer.


VAM: Nos conte quais são os próximos passos da LED? E qual o seu sonho a frente da marca?

Acabamos de abrir nossa primeira loja física e isso era um sonho, nosso próximo passo seria a segunda loja em São Paulo, mas ainda um processo. Nesse momento queremos nos fortalecer e ter mais presença no online que é a nossa loja para todo o Brasil. Então queremos crescer dessa maneira. Além de colaborações com outras marcas que nos permitam pertencer a outros universos além da moda.