Como um Cabernet Sauvignon de Puente Alto se tornou o vinho Nº 1 do mundo
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Por Enrique Tirado, CEO e Diretor Técnico da Viña Don Melchor

No Dia Internacional do Cabernet Sauvignon, é inevitável refletir sobre o caminho que levou um vinho chileno a alcançar o mais alto reconhecimento da indústria do vinho.
Com sua safra de 2021, Don Melchor foi eleito Vinho do Ano pela Wine Spectator, tornando-se o vinho Nº 1 do mundo e posicionando o Chile e Puente Alto entre as grandes referências internacionais desta variedade.
Desde então, recebi muitas vezes a mesma pergunta: o que torna um vinho o Nº 1 do mundo?
Minha resposta é simples: nenhum grande vinho nasce de uma única safra.
Grandes vinhos são construídos ao longo do tempo. São resultado de uma visão de longo prazo, da convicção de uma equipe e da busca permanente por aprofundar o conhecimento do lugar que lhes dá origem. Os reconhecimentos são muito importantes, mas por trás de cada conquista existem anos de observação, aprendizado e dedicação.
Esse conhecimento nos levou a aprofundar o manejo do vinhedo. Hoje cultivamos 151 microparcelas individualmente, agrupadas em sete parcelas principais, o que nos permite compreender com maior precisão como o Cabernet Sauvignon se expressa em cada setor. Cada parcela contribui com uma dimensão distinta ao vinho e nos permite capturar de forma mais fiel a identidade de Puente Alto.

Ao mesmo tempo, promovemos uma viticultura baseada no respeito ao meio ambiente e à biodiversidade. Iniciativas como o Viñedo Solar fazem parte de uma visão de longo prazo voltada para ampliar continuamente nosso conhecimento do vinhedo e fortalecer uma agricultura cada vez mais resiliente para as futuras gerações.
A expressão mais completa desse trabalho é o que chamamos de Arte da Composição. Cada parcela aporta caráter, estrutura, energia ou elegância, e nosso desafio consiste em combiná-las com precisão para refletir a melhor expressão de Puente Alto em cada safra.
Por isso, quando Don Melchor foi eleito o vinho Nº 1 do mundo, entendemos esse reconhecimento como muito mais do que a consagração de uma safra excepcional. Foi também a confirmação do extraordinário potencial do Chile para produzir Cabernet Sauvignon de classe mundial.
No entanto, nenhum reconhecimento altera o essencial. Cada nova colheita nos apresenta o mesmo desafio: compreender o vinhedo com maior profundidade, interpretar o terroir com ainda mais precisão e continuar revelando tudo o que essa origem extraordinária é capaz de expressar.
Porque a excelência não é um objetivo que se alcança apenas uma vez. É uma busca permanente. E talvez essa seja uma das maiores lições deste ofício: sempre há algo novo para aprender.



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