Dedeh Melo fala sobre viver a imperatriz Leopoldina na série ‘Brasil Imperial’

Recentemente premiada com o ‘Prêmio São Sebastião de Cultura da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro’, que contempla destaques de diferentes áreas das Artes Cênicas, a atriz Dedeh Melo vive a imperatriz Leopoldina na série ‘Brasil Imperial’, produção original da Fundação Cesgranrio, que estreou em novembro no Amazon Prime Video.

– Foi uma honra, um desafio e uma responsabilidade muito grande dar vida a uma personagem da nossa história, pois além de ter sido uma pessoa tão importante para o Brasil, ela era alguém real, que existiu e você precisa ter todo o cuidado pra contar essa história da maneira mais fiel e correta – completa a atriz.

A gaúcha de 33 anos, natural de Santo Antônio da Patrulha, revela que a preparação para viver a primeira esposa de D. Pedro I foi desafiadora, mas ao mesmo tempo transformadora.

– Foi meu maior desafio como atriz, com certeza. Eu li vários livros sobre ela e também sobre o contexto histórico da época, vi documentários, vídeos sobre, busquei toda a informação possível. Brincava na época que ninguém sabia mais sobre Leopoldina do que eu (rs). Além disso, teve a transformação física, ela era austríaca, então fiquei oito meses sem tomar sol e passando protetor 70 todos os dias, usei lente verde, descolori o cabelo e fiquei loira… esse processo foi sensacional pois não me reconhecia. Não me via quando me olhava no espelho – diz Dedeh.

A intérprete de Leopoldina ressalta a força da imperatriz e faz uma comparação com as mulheres de hoje.

– A Leopoldina era uma mulher forte e determinada, que não baixava a sua cabeça. Ser mulher no Brasil não é e nunca foi fácil. Acho que a gente está vindo em uma crescente nessa luta contra o patriarcado e ganhando espaço. Lutando arduamente por uma sociedade melhor. É um processo lento e vem de lá atrás, mas estamos conquistando muitas coisas. Atitude nas mulheres é algo lindo, admirável e necessário, mas ainda hoje é visto de maneira distorcida muitas vezes, infelizmente. Mas não há de durar, a gente chega lá – ressalta.

Dedeh exalta os bastidores durante a gravação da série, que durou três meses.

– Trabalhei com muitas pessoas incríveis e talentosas. A magia da arte é essa, não se faz arte sozinho. Tem um pouquinho de cada um que fez a série em tudo e isso que faz a máquina funcionar e ficar linda. Além da direção incrível de Alexandre Machafer, que me fez sentir segura e me deu mais força, troquei muito em cena com João Campany, meu Dom Pedro, e foi muito bom nosso processo. A gente se amou logo de cara e foi construindo uma relação de carinho dentro e fora de cena. Fomos crescendo juntos ao longo do processo. Só tenho a agradecer – destaca.

A atriz, que mora no Rio há 16 anos, começou a fazer teatro no Sul, em Porto Alegre, e, aos 17 anos, veio para a Cidade Maravilhosa disposta a seguir o seu sonho.

– Resolvi vir para o RJ tentar a vida de atriz. Uma loucura que não me arrependo em nada (rs). Aí aqui continuei estudando, fiz muitos cursos e muitas peças. 2020 foi o primeiro ano que não pisei no palco, até então subi no palco todos os anos desde que cheguei em 2004. Isso é uma vitória para qualquer ator/atriz. Fiz muitos infantis que, sem dúvida, representaram um aprendizado gigante, fui Sininho, Bela, etc. Fiz muitas participações na TV e no cinema, fiz alguns curtas, mas longa ainda não. É um sonho ainda que irei realizar em breve – completa a gaúcha.

Além de atuar, Dedeh dá aula de acrobacia aérea, algo que não parou durante a pandemia.