Dia Mundial da Saúde Digestiva destaca o câncer colorretal

Saúde da microbiota é fundamental para evitar essas e outras doenças do sistema gastrointestinal

Devido à relevância da doença em termos de saúde pública, o câncer colorretal foi escolhido pela Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO) para ser o tema da campanha anual do Dia Mundial da Saúde Digestiva de 2022, celebrado em 29 de maio. A neoplasia é a segunda principal causa de morte relacionada ao câncer no mundo. No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o biênio 2020-2022 é de 40.990 novos casos da doença por ano. O câncer colorretal é a segunda neoplasia maligna mais frequente em homens e mulheres, perdendo apenas para o câncer de próstata e de mama, respectivamente. Segundo a WGO na última década houve um aumento preocupante na incidência desse tipo de câncer entre indivíduos mais jovens.

A estimativa é que de 50% a 75% dos casos de câncer colorretal poderiam ser prevenidos com um estilo de vida saudável. Pesquisas recentes demonstram que todos os fatores de risco para o desenvolvimento desses tumores – idade, consumo de álcool e tabaco, falta de atividade física, aumento do peso corporal e alimentação rica em gordura saturada e pobre em fibras, além da ingestão constante de alimentos ultraprocessados – interferem na composição da microbiota intestinal, sugerindo que os microrganismos intestinais e a microbiota podem amplificar ou mitigar a carcinogênese, a capacidade de resposta à terapêutica do câncer e as complicações associadas. E alguns estudos sugerem que a alteração da microbiota intestinal, com maior população de bactérias de potencial patogênico, pode ser determinante para o desenvolvimento do tumor colorretal.

As pesquisas sobre a microbiota intestinal são realizadas desde o século 19 e já existem muitas comprovações sobre a relação dos microrganismos intestinais e a saúde, que incluem desde a prevenção e o auxílio nos tratamentos de doenças intestinais – como constipação e diarreia – até importantes efeitos sobre o sistema imunológico. A microbiota intestinal é relativamente estável em indivíduos sadios, mas pode sofrer alterações pela condição fisiológica, emocional, ingestão de medicamentos e interação das bactérias intestinais. Padrões anormais de microbiota podem ser vistos nas anomalias de peristaltismos intestinais, pós-cirurgias, distúrbios gastrointestinais e gastrohepáticos, estresse, imunodeficiências, ingestão de antibióticos ou em processos de envelhecimento, entre outros.

Vários artigos científicos indicam que o consumo de probióticos e prebióticos pode diminuir o risco de câncer de cólon e de outras doenças intestinais importantes, como a diverticulite, além de favorecer a redução do supercrescimento bacteriano intestinal na síndrome do intestino irritável. Entre os possíveis mecanismos de ação estão redução da resposta inflamatória, inibição de formação de células tumorais e da conversão de substâncias pré-carcinogênicas em carcinogênicas, alteração das atividades metabólicas e da composição da microbiota intestinal, alteração de condições físico-químicas no cólon, produção de compostos antimutagênicos e modulação da resposta imune.

Há consenso de que os alimentos com probióticos possuem um número suficiente de microrganismos vivos capazes de sobreviver ao trânsito gastrointestinal e chegar em grande quantidade para contribuir com o equilíbrio da microbiota do intestino, onde exercem um efeito protetor no metabolismo humano. Os probióticos também têm sido considerados fortes aliados na manutenção da saúde porque controlam o crescimento das bactérias nocivas e promovem a estabilização do ambiente intestinal. Um dos microrganismos mais estudados no mundo é o Lactobacillus casei Shirota, isolado em 1930 pelo cientista japonês Minoru Shirota e utilizado nos leites fermentados da Yakult desde 1935.