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Fabiana Queiroga e a Trama Invisível do Cerrado para a Donatelli

  • há 34 minutos
  • 2 min de leitura

Na DW! 2026, a artista goiana e a curadora Denise Gustavsen lançam "A Floresta de Cabeça para Baixo", coleção que traduz a força do bioma em camadas têxteis

O Cerrado brasileiro guarda uma arquitetura invisível aos olhos apressados. É sob o solo, em um emaranhado de raízes que funcionam como verdadeiras caixas d’água e reservatórios de carbono, que reside a força vital de um dos biomas mais ameaçados do planeta. É desse universo oculto, batizado de "floresta de cabeça para baixo", que a Donatelli Tecidos extrai a essência de seu mais novo lançamento. Com assinatura da artista goiana Fabiana Queiroga e curadoria refinada da jornalista e diretora criativa Denise Gustavsen, a coleção apresentada na 15ª edição da DW! Semana de Design de São Paulo transforma o território e a memória em uma linguagem têxtil que transcende a função puramente decorativa.


A narrativa de Fabiana Queiroga, profundamente enraizada em sua trajetória nas artes visuais e no design autoral, desloca o tecido para o campo da experiência sensorial. As estampas não são meras reproduções da natureza, mas o resultado de uma pesquisa minuciosa sobre veios, cascas e rastros, criando superfícies que operam como camadas de uma história contada através do toque. Para a artista, o design nasce do gesto manual e da experimentação, resultando em tramas que convidam a uma fruição pausada e atenta. O projeto se manifesta como um convite para que o observador perceba o tecido não apenas como um revestimento, mas como uma presença latente capaz de ressignificar o habitar contemporâneo por meio de narrativas que dialogam com o clima e a preservação.


A coleção se estrutura a partir de dois movimentos complementares que orientam as pesquisas gráficas e cromáticas dos tecidos.

O movimento Sertão revela a exuberância do bioma por meio de cores quentes e terrosas, onde os padrões Casca e Sertão desenvolvem grafismos orgânicos e tramas expansivas que sugerem vitalidade e ritmo contínuo.

Já o movimento Carbono assume um registro mais denso e silencioso, refletindo as marcas do desmatamento e das queimadas. Neles, os padrões Veios e Solo exploram tonalidades profundas de cinza e grafite, convertendo o impacto ambiental em gesto visual de forte vocação arquitetônica. O uso de técnicas como o double face evidencia camadas e tensões, resultando em tecidos de leitura introspectiva e grande impacto espacial.

Ao completar 83 anos de história e vindo de uma recente conquista do iF Design Award, a Donatelli reafirma com este lançamento seu papel como protagonista do design autoral brasileiro. A parceria com Fabiana Queiroga e Denise Gustavsen demonstra que a indústria têxtil pode ser um potente instrumento de reflexão, capaz de traduzir questões ambientais urgentes em uma estética sofisticada.

Durante o festival, o público poderá conferir a materialização dessa pesquisa em uma instalação intimista na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, onde pinturas da artista e registros do processo criativo completam a atmosfera, revelando que a verdadeira força de uma paisagem reside, muitas vezes, naquilo que permanece oculto sob a superfície.

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