Harry Styles desafia normas de gênero e se transforma em ícone fashion
- VAM Magazine

- há 42 minutos
- 5 min de leitura
Harry Styles não está no mundo da música a passeio, e a prova incontestável disso é o seu sucesso estrondoso, que reverbera globalmente. No dia 1º de fevereiro de 2026, o aclamado astro pop britânico completa 32 anos de idade. Ao olhar para trás, é possível traçar a trajetória de um artista que, desde cedo, demonstrou resiliência.

Styles, nascido em Holmes Chapel, Inglaterra, sempre perseguiu seus sonhos. Sua jornada rumo ao estrelato começou no reality show "The X Factor" em 2010. Naquela audição, o então jurado Simon Cowell teceu críticas duras, mas o jovem, com um visual básico, mas repleto de personalidade e potencial, não desistiu. Apesar da avaliação inicial, foi no programa que a carreira de Styles tomou forma, culminando na criação da boy band One Direction. Desde então, ele se estabeleceu como um artista solo de renome internacional, com milhões de álbuns vendidos e ingressos esgotados em turnês globais.
Recentemente, o cenário musical foi movimentado pelo lançamento do clipe de “Aperture”, single que integra seu novo álbum intitulado "Kiss All The Time. Disco, Occasionally", com lançamento em 6 de março e o anúncio de duas datas extras em São Paulo, com sua turnê “Together, Together”. O garoto tem demanda. O impacto de Styles vai além dos palcos; sua discografia, liderada pelo aclamado álbum "Harry’s House", continua a quebrar recordes de streaming no Spotify e a dominar as paradas da Billboard. Cada movimento do cantor, seja no cinema, na moda ou na música, é recebido com uma resposta massiva do público, provando que sua trajetória transformou-se em um império de entretenimento sustentado por uma base de fãs global e extremamente fiel.
O estilo de Harry Styles é um dos pilares de sua identidade artística, tanto que carrega vários estilos em seu sobrenome, consolidado por uma colaboração de longa data com o stylist Harry Lambert, que trabalha com o cantor desde 2014. Juntos, eles construíram uma imagem que transita entre o básico e o extravagante, desafiando normas de gênero e estabelecendo Styles como um ícone da moda contemporânea.

Uma das principais referências estéticas de Styles é o rockstar Mick Jagger. Lambert conseguiu reinterpretar o visual icônico e andrógino de Jagger em versões modernas, utilizando peças de alfaiataria clássica, transparências e acessórios ousados. Essa evolução visual foi fundamental para a transição de Harry de integrante de boy band para um artista solo de prestígio, culminando em marcos como ser o primeiro homem a aparecer sozinho na capa da Vogue Americana.
“Por se tratar de um garoto, Harry Styles não teve medo de ousar e enfrentar as críticas sobre o seu visual, em um mundo atual, onde a roupa define a sexualidade de uma pessoa, Styles veio na contramão e deixou seu nome registrado no mercado fonográfico e fashion. Ele conseguiu fazer milhares de jovens ousar em seus looks, trouxe a estética retrô para os holofotes novamente, mostrou que a moda é e sempre será atemporal – prova disso é o seu muso inspirador, o líder dos Stones, que anos atrás abriu caminho para o que vemos hoje”, disse o jornalista e stylist Paulo Sanseverino.
A parceria entre Harry Styles e a grife italiana Gucci, sob a direção criativa de Alessandro Michele, é amplamente considerada um marco na redefinição do guarda-roupa masculino contemporâneo. Esta colaboração consolidou uma estética fluida, lúdica e nostálgica que desafia as normas de gênero tradicionais.
A sinergia entre o artista e a marca começou a se destacar em 2015, quando Styles utilizou um terno floral da coleção primavera/verão da Gucci no American Music Awards, um momento que o diferenciou visualmente de seus colegas de banda. A partir daí, a parceria evoluiu, e Styles tornou-se um rosto frequente em campanhas da grife, incluindo a notável sessão de alfaiataria de 2018, filmada em uma vila italiana.
O ápice cultural dessa colaboração ocorreu em eventos de grande visibilidade, como o Met Gala 2019, onde Styles desfilou com uma blusa de renda transparente e saltos, e na icônica capa da Vogue americana, na qual trajou um vestido da grife, gerando amplo debate sobre moda e masculinidade.
Foi também em 2019, o lançamento do segundo álbum solo do artista, "Fine Line", que consolidou sua maturidade artística com recordes de vendas e ampla aclamação crítica. O projeto é profundamente influenciado pela estética e sonoridade da década de 1970, um conceito que se estende da produção musical à identidade visual da obra.
A transição para a "Era Fine Line" marcou uma evolução significativa na imagem pública de Styles. O artista adotou uma postura mais ousada e experimental, utilizando seus videoclipes e aparições públicas para explorar a fluidez de gênero na moda. Esse posicionamento ficou evidente na capa do álbum, onde ele veste peças de alfaiataria com cintura alta assinadas pela Gucci, e no uso constante de elementos tradicionalmente associados ao guarda-roupa feminino, como babados, pérolas e transparências.
Comercialmente, o álbum estreou no topo da Billboard 200, tornando Styles o primeiro artista masculino britânico a estrear em primeiro lugar com seus dois primeiros discos de estúdio. O impacto cultural de "Fine Line" reafirmou Harry não apenas como um vocalista de prestígio, mas como um protagonista na quebra de paradigmas estéticos da música pop atual.
Em 2022, a parceria resultou em uma coleção colaborativa exclusiva, a "Gucci HA HA HA". O nome da linha faz um trocadilho com as iniciais de Harry e Alessandro, além de remeter à forma como os dois costumavam encerrar suas conversas, simbolizando uma união criativa e pessoal bem-sucedida.
“Roupa não tem gênero. Roupa não define sexualidade de ninguém. Harry Styles está aí para provar isso. As pessoas possuem um olhar totalmente equivocado sobre algumas peças, onde o público masculino é o que mais erra em afirmar que homem não pode usar rosa, não pode usar estampas florais, brilho nem pensar, pois certamente irá afetar sua frágil masculinidade. Ledo engano. Moda é diversão, é estado de espírito, e Harry Styles possui um espírito elevado quando o assunto é moda. Cada um usa o que quer, só não aponte o dedo para o estilo alheio”, pontua Paulo Sanseverino.

Os macacões decotados são um elemento distintivo do estilo de Harry Styles, refletindo uma estética andrógina e fluida inspirada no glam rock da década de 1970. Essas peças, frequentemente customizadas, combinam brilho, estampas ousadas e cortes que desafiam as convenções tradicionais de vestuário masculino, consolidando a imagem de Styles como um ícone fashion.
“A influência de Styles transcende seu próprio guarda-roupa, estabelecendo-o como uma referência para a nova geração de artistas. Nomes como Benson Boone, Jão e João Lucas têm adotado elementos da ousadia e da quebra de paradigmas de gênero que Styles popularizou, demonstrando o impacto duradouro de seu estilo na cultura pop contemporânea”, acrescentou Sanseverino.
A turnê "Together, Together", que chega a São Paulo logo mais, projeta uma evolução estética centrada na cultura disco e na liberdade de movimento. Com base na trajetória de Harry Styles e nas tendências para o período, a nova fase deve consolidar uma interpretação moderna da moda dos anos 70.
“O foco visual deve priorizar calças de cintura alta com corte flare, alfaiataria estruturada e o uso de tecidos ricos como brocados, bordados e estampas florais. Elementos como as golas exageradas (dagger collars) devem reforçar a atmosfera retrô. Fiel à exuberância de suas turnês anteriores, espera-se o uso intensivo de lantejoulas, plumas e materiais reflexivos, otimizados para a dinâmica de iluminação dos palcos”, pontua Paulo Sanseverino.
Harry Styles tem sinalizado uma transição para calçados que privilegiam a performance e o conforto. Referências a tênis esportivos ou modelos inspirados em sapatilhas de ballet, como observado no videoclipe de "Aperture", sugerem uma estética mais ágil e menos dependente das tradicionais botas de salto. A nova fase também pode refletir um consumo mais consciente. A recente aproximação de Harry com marcas focadas em sustentabilidade e upcycling, como S.S. Daley e Bode, indicam que o figurino da turnê pode integrar peças vintage ou de produção ética.
“Seguindo o impacto cultural da ‘Love On Tour’, espera-se que o público adote um dress code coletivo baseado em acessórios brilhantes, cores vibrantes e elementos que remetem a globos de discoteca, reforçando a conexão entre o artista e sua base de fãs através da moda”, finaliza Sanseverino.










Comentários