Literatura para Todxs: Conheça a história de Fabio Luiz Vicente

LITERATURA PARA TODXS significa luta, resistência e persistência, pois, se voltarmos um pouco em nossa história, nossos até Clássicos, veremos a literatura sendo canal do racismo, machismo, homofobia e todo tipo de preconceito. E, ainda hoje, temos que nos deparar com pessoas dizendo que tinham a ver com os costumes da época. Hoje, temos espaço, temos voz, e a literatura será sempre uma arma para luta, para levarmos conforto e esperança para quem sempre esteve à margem da margem.

Literatura para todxs tem a ver com “Eu estou aqui, também posso escrever sobre amor independente de gênero”, também posso e vou colocar as travestis e transexuais em destaque na literatura, em lugar de respeito. Também vou colocar duas mulheres nesse romance, também vou reivindicar meus direitos através da minha arte. Literatura para Todxs é RESISTIR. É SOBRE UM IDEAL, SOBRE ARTE E SOBRE SOBREVIVER.


Fabio Luiz Vicente, ou Fabinho, é chamado na comunidade , é filho da Nilceia, mãe de seis filhos que ela criou sozinha. Afinal, pai é artigo de luxo, vocês sabem, não é? Nilceia já não está mais aqui, mas enquanto esteve, sempre lutou para não deixar faltar nada para ele e seus irmãos. Não se recorda de ter passado fome, mas perrengues, olha... Nascido e criado na Carobinha, zona oeste do Rio de Janeiro. Fábio foi um adolescente problemático, cresceu ouvindo que eu só dava desgosto para mãe, e que eu não conseguiria além do que eu já tinha: NADA! Que não tinha como alguém como ele dar certo. Ele levou essas palavras para o coração e por um tempo acreditou no julgamento de pessoas que não sabiam quais eram suas dores e só o julgavam pelas suas atitudes, que na verdade era um pedido de ajuda, que parecia rebeldia, ele não tinha perspectivas, mas, como ter quando nada ao seu redor colabora? Ter perdido sua mãe ainda é a coisa que mais dói diariamente. Por vários motivos, sobretudo por ele ter ficado sozinho e sem saber por onde começar, para onde ir e o que fazer. Acho que também é porque ela não conseguiu conhecer o novo Fábio.


O Fábio que respeita as pessoas, que entrou na faculdade... falando nisso, quem acreditava que ele pisaria numa universidade? Era uma realidade completamente distante da que ele vivia e, algumas pessoas, faziam parecer ainda mais! Depois que sua mãe se foi, ficou 2 anos sem estudar, e o recomeço foi o EJA, foi lá que decidiu que queria ser Professor de Literatura. Fábio Viccent publicou em 2017 o seu primeiro livro intitulado “Seja Livre”, um livro voltado para o público Jovem, com crônicas que falam com sensibilidade e respeito sobre como a vida pode ser ruim e difícil de vez em quando. Sobretudo quando tudo ao seu redor coopera para isso.

O livro, acima de tudo, foi feito com a intenção de tornar os dias de seus leitores mais leves. O livro foi um sucesso entre os jovens, fazendo com que Fábio participasse da Bienal de São Paulo com ele e, no ano seguinte, também na Bienal do Rio de Janeiro, esgotando todos os exemplares em pouco menos de 2 horas de sessão. O livro também acabou lhe rendendo algumas matérias e um prêmio Literário, o “Prêmio Litere-se”. Em 2019, Fábio decidiu, então, criar sua própria editora. Nela, além de seguir seus sonhos, teve a possibilidade de ajudar a outros autores a publicarem seus livros. Especialmente os que não tinham condições financeiras para isso. Fábio sempre soube o que é ter sonhos e ninguém acreditar ou dar oportunidade para que ele seja realizado. Através de sua editora, a Editora Ascensão, possibilitou que outros autores fizessem suas vozes serem ouvidas através da Literatura. Os autores locais, os autores lgbtqia+ etc.


Além de sua atuação como editor, nunca largou a escrita e, pouco depois, lançou “Com amor, Clara.”, livro que também lhe rendeu bons frutos, inclusive um Prêmio Nacional de Literatura, o Ecos da Literatura, como o melhor livro do gênero Drama de 2020. Além de conquistar o coração dos leitores, com uma história sensível e emocionante. Fábio sempre acreditou que a arte salva vidas, por isso também atua como professor de Literatura. A editora abriu portas para todos que sempre ouviram que seria impossível a publicação, para quem quer soltar sua voz com as palavras e denunciar tudo de errado e todas as desigualdades e injustiça que existem no mundo. Por muito tempo, tentaram anular a palavra de mulheres, gays, negros e favelados. Fábio sempre lutou para que essas pessoas tivessem voz e vez em sua casa editorial.


Não somente por acreditar em um ideal, mas sim por fazer parte dele. Como um homem gay, favelado e que luta todos os dias para se manter firme. Fabio Viccent com certeza é o orgulho da Dona Nilcéia e de onde ela estiver está muito feliz pelo filho maravilhoso que ela criou. A arte transforma vidas!