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Pantanal: o bioma brasileiro que está morrendo

Foto: Gustavo Basso/Getty Images

Por Bruno Montezano Ramos. Prof., Biólogo, Especialista em Educação Ambiental e Mestre em Educação – UFSM.

O Brasil é um país de muitas riquezas. Essa afirmação é passível de diversos significados, por isso, debruçar-se sobre a compreensão da beleza desse território, com suas diferentes composições paisagísticas, bem como sua diversidade de espécies, nos faz refletir sobre a importância dos biomas brasileiros.

No Brasil, existe um grande número de biomas, a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pampa e o Pantanal, todos eles possuem características específicas com grandes variações ecológicas, desde ambientes úmidos, inundáveis até áreas de semiárido.

Fogo engole 64,8% do Parque Estadual Encontro das Águas em MT

No decorrer das transformações sociais, todos eles vêm sofrendo com a perda de biodiversidade, a extinção de espécies e o impacto negativo em função da manutenção do bem-estar da sociedade humana. Nesse caso, daremos uma atenção especial para o bioma Pantanal, considerado o de menor extensão territorial no Brasil, embora seja o mais úmido do planeta.

O Pantanal está localizado nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, segundo IBGE a sua área compreende 1,76% da área total do território brasileiro, sendo plana, inundável e formada por sedimentos dos rios depositados ao longo dos anos. O Pantanal interage diretamente com outros três biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, além disso sofre influência do bioma Chaco (nome da parte do Pantanal localizada ao norte do Paraguai e leste da Bolívia). Essas dinâmicas são de extrema importância, pois os diferentes impactos ambientais causados em cada um deles reverberam consequências para todo o conjunto.

Iberê Périssé / Projeto Solos

É preciso destacar a importante relação da Floresta Amazônica com o bioma Pantanal, porque as chuvas que causam as inundações pantaneiras são constituídas por meio da umidade advinda da Amazônia, há predominância de um fenômeno chamado de “rios voadores”, logo, se há desmatamento da floresta amazônica há alterações nos ecossistemas do pantanal. Ainda, o Pantanal abriga muitas espécies que também existem no território amazonense e entre a divisão das bacias do Paraguai e Amazônica existem corredores pelos quais as espécies se deslocam nesses territórios.

Governo de MS/ reprodução

Sobre a cultura e o manejo de queimadas no Pantanal

Na época de seca ocorre um significativo aumento da incidência de queimadas nas áreas de pastagens naturais ou plantadas, essa prática surge com a intenção de estimular a rebrota do capim e renovar a disponibilidade de alimento aos rebanhos. Nesse contexto, a prática da queimada é considerada transformadora da paisagem, pois causa impacto aos ecossistemas sensíveis ao fogo, ocasionando a morte de indivíduos e até mesmo a eliminação dessas espécies devido a força seletiva. O fogo também pode trazer danos físicos e reduzir a produção de frutos e sementes, entre outros efeitos socioambientais e socioeconômicos.

Nos últimos anos houve um grande avanço da utilização do solo e sua correlação com as queimadas provocadas pelo ser humano, isso tem chamado a atenção dos políticos, dos movimentos ambientais e da sociedade como um todo, trazendo para as discussões atuais diferentes maneiras para monitorar e controlar o uso do fogo. Há propostas de substituição de processos de produções primitivas pela implantação de tecnologias alternativas mais eficazes e que causam menos emissões gases de feito estufa.

Sobre as queimadas naturais

Diferentemente dos incêndios provocados pelas ações dos seres humanos, no Pantanal existem incêndios naturais que ocorrem geralmente de junho a setembro, contudo o incêndio que está ocorrendo se diferencia dos demais, pois o clima está mais seco do que se considera normal. Frente a isso, locais que seguiam úmidos mesmo com a seca, agora também estão secos e expostos, pois houve o acúmulo de biomassa e a queima de todos os tipos de matéria orgânica se torna uma fonte de emissão de aerossóis e gases poluentes para atmosfera o que agride ainda mais esse bioma e dificulta combater o incêndio.

Conforme algumas pesquisas que compararam os incêndios anteriores com o que está acontecendo no bioma, estima-se que a queima de janeiro até agosto do presente ano equivale ao total das queimadas que aconteceram nos últimos cinco anos.

Os incêndios são extremamente preocupantes, segundo a Embrapa a flora do Pantanal é uma das mais ricas com importância medicinal e através dos dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente, esse bioma abriga mais de 1.000 espécies animais que só ocorrem nesse território, chamadas de endêmicas. Há uma variedade esplêndida de espécies que se destacam na fauna pantaneira, dentre elas o tuiuiú ou jaburu, considerada ave-símbolo do bioma.

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Acredita-se que detectar as queimadas por imagens de satélite se torna um método mais adequado, pois possibilita quantificar em larga escala os impactos em função do fogo. É relevante mencionar a presença das comunidades que habitam a região pantaneira e que também estão sofrendo com as queimadas, sendo os indígenas, quilombolas, coletores de iscas ao longo do Rio Paraguai, a comunidade Amolar e Paraguai Mirim, etc.

Ao longo dos anos essas comunidades influenciaram diretamente a construção da identidade cultural da região, o que também gerou a criação de movimentos ambientais para a preservação e conservação desse ambiente. Sendo assim, necessário investir na ciência, em estudos de biologia da conservação e em pesquisadores que se propõem responder questões relacionadas a dinâmica das queimadas, que especifiquem as melhores estratégias para proteção das espécies raras e ameaçadas, que façam a mediação e a harmonização entre a conservação e os interesses e necessidades do povo e governo locais.

Referências

BEGON, M., C. R. Townsend e J. L. Harper 2007. Ecologia de Indivíduos a Ecossistemas. 4ªed, Artmed, Porto Alegre. (2005, 4ª ed. Blackwell, Oxford ou 3a ed., 1996).

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Disponível em:<https://www.mma.gov.br/biomas/pantanal> Acesso em 20 de set. 2020.

INPE. INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS. Banco de dados de queimadas: programa queimadas apoio. 2018. Disponível em: http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/bdqueimadas/. Acesso em: 21 de set. 2020.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico de 2010. Disponível em:<http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=510250&search=mato-grosso|caceres.> Acesso em: 19 de set. 2020

ROCHA, C. F. D. et al. 2006. Biologia da Conservação – Essências. Rima, Ribeirão Preto.

SORIANO, B. M. A. et al. Uso do fogo para o manejo da vegetação no Pantanal – Corumbá: Embrapa Pantanal, 2020. Disponível em:< https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123857/1/Uso-fogo-manejo-2020.pdf> Acesso em: 19 de set. 2020.

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