O desafio de se aplicar a inteligência emocional em tempos de novas adaptações e mudanças da vida

Encontrar alternativas e meios para superar as cobranças de um mundo acelerado e as mudanças repentinas em nossas vidas, que nos tira de uma zona de conforto e nos cobra produção e assertividade, sem dúvidas, é um dos maiores desafios da atualidade, seja na vida pessoal ou profissional de uma grande massa da população ativa que tenta manter o equilíbrio físico e mental, driblando o aumento dos casos de depressão e transtornos geradores de angústias, medos e estagnações no tempo.


Quem nunca ouviu dizer que mudar dói? Mudar assusta e pode até gerar pânico se não estivermos preparados emocionalmente. Seja para uma mudança de casa, de cidade de país, ou mesmo uma separação, mudança de empresa ou qualquer coisa do gênero. Fato é que, o acúmulo de responsabilidades, a competitividade, o excesso de pressões e cobranças comuns e cotidianas, além dos novos comportamentos desenvolvidos no mundo moderno têm aumentado os casos de depressão e transtornos pós traumáticos que geram esgotamentos físicos e emocionais que nem sempre são bem administrados. Ou seja, é muito comum que o indivíduo prefira viver em sua ostra, fazendo sempre as mesmas coisas, sem se preocupar em mudar (em todo sentido da palavra) para não precisar ser incomodado de forma a precisar transformar sua vida e seus hábitos.


Essa realidade tem sido um dos desafios atuais da sociedade. Mas e quando essas mudanças ocorrem alheias à vontade do ser humano? E quando elas são inevitáveis? É nessa hora que o emocional e a maturidade do indivíduo precisam estar em equilíbrio para que as alterações sejam suportadas e melhor aceitas. Entra em jogo a necessidade de manter o bem-estar e a qualidade de vida de forma saudável para atender às necessidades humanas. Visto que, se faz urgente voltar o olhar para a definição do propósito de vida, da saúde mental, do bem-estar pessoal em detrimento das inúmeros pressões sofridas pela velocidade do mundo e frente às inovações tecnológicas e novas adaptações sociais. O mais importante é, através da inteligência emocional, desenvolver o encontro com o seu próprio limite em um mundo sem limites, onde somos testados a cada segundo, a controlar e manter uma saúde mental equilibrada, através da condução de uma rotina menos estressante e do aprendizado eterno em entender que mudanças são necessários e, em muitos casos, sair da zona de conforto pode ser a salvação de uma vida atribulada.


Não podemos negar os impactos na saúde emocional daqueles que são confrontados e motivados a transformarem-se. Fato é que, em tempos atuais, a linha tênue da inteligência emocional está em entender que comprometer-se e se engajar em novos modelos, novas rotinas e novo ritmo de vida, favorecem o ganho psíquico no que tange a vivacidade e maturidade psicológica do ser, podendo inclusive, potencializar barreiras importantes para impedir o desenvolvimento de transtornos e neuroses severas.


Dados estatísticos mostram que somos o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo da América Latina. Portanto, precisamos desmistificar a saúde mental e valorizar a inteligência emocional, trazendo leveza e aceitação ao longo das várias etapas de nossa vida. Mesmo aquelas que exigem serenidade e resiliência para o enfrentamento de mudanças necessárias e iminentes. Trabalhar a qualidade de vida e a saúde individualizada é importante em qualquer que seja a avaliação ou condição humana. As doenças mentais e psicológicas devem ser acolhidas e tratadas em busca de uma melhor performance mental e cerebral. Até porque, podemos ser muito mais eficientes se começarmos a entender e saber lidar com nossas emoções, elevando a autoconsciência, gerenciando humor, manejando os relacionamentos e promovendo a automotivação e a empatia, além de encarar como sendo positivas as diversas alterações em nossas vidas.


Enfim, diante de todas essas constatações, não se pode fugir de uma verdade: sem sombra de dúvidas, as emoções e o medo do novo, da novidade e da necessidade de se movimentar e sair de nossa própria zona de conforto, impactam diretamente na nossa performance e nas nossas relações ao longo da vida. Se não forem bem aceitos os processos transformadores, o estresse, a depressão e a desmotivação impedem o indivíduo de ser criativo, empático e maduro para encarar seus novos desafios. Por isso, sabendo gerenciar as emoções e trabalhando sua inteligência emocional, até mesmo os sentimentos destrutivos, como a raiva por exemplo, podem ser utilizados positivamente, auxiliando e impulsionando as atividades cotidianas, além de potencializar força e habilidade para a realização dos desejos e das tomadas de decisões mais assertivas. Já que, sabendo utilizar e canalizar as emoções com sabedoria poderemos analisar com mais consciência os aspectos desafiantes aos quais somos confrontados diariamente, dentro da grande montanha russa de emoções e surpresas que é a nova vida.


Dra. Andrea Ladislau é psicanalista e palestrante. Formada em Letras, a profissão lhe abriu portas no mercado para trabalhar como redatora e atualmente é colunista do Jornal Folha de Niterói, do site Pensar Bem Viver Bem e do site Enfermagem Novidade, além de redatora da Revista VAM Magazine, além de membro da Academia Fluminense de Letras. E tem o título de Doutora em Psicanálise Contemporânea e, hoje, é também considerada referência em saúde pelo site UOL.