O guia completo das cuecas (até mesmo para homens que não dão a mínima para as suas) – Papo de

Eu não faço a menor ideia sobre qual foi a primeira camiseta que eu comprei. Tampouco me lembro qual foi a primeira calça ou bermuda que passou a fazer parte do meu guarda-roupa depois que comecei a ter meu suado dinheirinho. 

Mas a primeira cueca, ah!, dessa me recordo muito bem: veio junto com a primeira namorada.


As pessoas não falam sobre isso. Seu pai não vai te confidenciar sobre o tema numa conversa de pai para filho. Mas deixar os presentes das tias e avós de lado e comprar uma cueca bacanuda é um daqueles sinais inequívocos de que o menino cresceu e virou homem.

Se antes as moedas que sobravam do troco da padaria iam pra bala, chocolate ou revistinhas, as notas que chegavam nos aniversários iam prum brinquedo ou jogo de videogame e o dinheiro mais graúdo ia pra comprar uma camiseta ou um tênis mucho louco, optar pela roupa de baixo significa que você é capaz de reconhecer que o útil e discreto é, muitas vezes, mais importante que o vistoso e chamativo.

E se todos somos capazes de entender que não pega bem revelar um elástico frouxo ou um daqueles buracos nada estratégicos no ponto alto de um encontro, vale entender também que tipo de cueca é mais confortável, que cor se assenta melhor para o nosso corpo e estilo de vida ou como cuidar melhor das peças.

Portanto, abram alas para o nosso “Guia Completo das Cuecas”.

A História

As primeiras roupas íntimas de que se tem notícia são rudimentares, e datam ainda da pré-história. Eram feitas de couro e não deviam ser muito confortáveis, mas cumpriam a missão que suas descendentes têm até hoje: proteger de acidentes. A noção de esconder a região por questões pudicas só apareceu muito tempo mais tarde, na Idade Média, quanto calças e outros apetrechos já cumpriam a função de proteger.

Como as peças utilizadas nesse período dificultavam o acesso na hora de utilizar o banheiro, surgiu o codpiece: um tipo de bolsa – fechada com barbantes e botões, quando feita de pano, ou de metal e couro para ser utilizada com as armaduras (muitos, como o rei Henrique VIII, adornavam suas peças para demonstrar riqueza).

O próximo grande passo foram as union suit, peças inteiriças – mas com aberturas frontais e traseiras – que foram amplamente adotadas pela classe trabalhadora americana (você já deve ter visto esse tipo de roupa de baixo em algum faroeste).


Só na década de 1930 é que o conceito mais moderno, parecido com as cuecas que temos hoje, apareceu. Arthur Kneibler, diretor de uma empresa de meias em Chicago, recebeu um telegrama de um amigo francês que mostrava um homem usando uma roupa de banho curta, parecida com o biquiní e enxergou uma oportunidade: e se ele criasse uma peça parecida, mas para o dia a dia?

Kneibler desenhou algo semelhante aos suportes protetores utilizados pelos atletas, com apenas buracos no lugar em que o sujeito devia enfiar as pernas. Foi um sucesso: em 1938, quando as Jockeys chegaram ao Reino Unido, 3 mil unidades eram vendidas por semana.

Os Principais Modelos

Slip (também chamadas de sunga)


Provavelmente a primeira cueca que cada um de nós utilizou, é baseada no tradicional design desenvolvido por Kneibler: elástico na cintura e na altura da virilha, frente em Y – com ou sem abertura para facilitar as idas ao mictório.

Boa como suporte para a prática esportiva ou para quem se movimenta muito, cai melhor em homens mais baixos e magros por que divide e marca as formas do corpo. Como possui menos pano do que as outras, também é muito útil para roupas curtas ou mais coladas ao corpo.

Boxer

Apesar de ser tão colada ao corpo quanto a slip, possui tecido que se estende até as pernas e aliviam a sensação de desconforto que muitos homens sentem com o modelo mais clássico. Também funcionam com quase todo tipo de roupa (exceto shorts curtos), mas apesar de unir conforto à liberdade de movimento é menos prática: não raro essas “perninhas” da cueca acabam subindo coxa acima.

É democrática: fica bem mesmo em quem tem perna grossa. Para evitar ficar ajeitando as pernas da cueca para baixo o dia inteiro, privilegie modelos mais justos ou com menos pano nessa região.

Samba Canção

Provavelmente foi desenvolvida por um cara que apreciava o valor de ficar em casa deitado no sofá apenas de cueca, e isso merece respeito. Mas apesar de ser o modelo mais confortável e com respiro entre todas as opções disponíveis no mercado – quem nunca esteve preso não sabe direito o que é liberdade –, também é capaz de causar incômodos. Particularmente, desisti de usá-las no cotidiano quando entendi que nunca conseguiria parar de me embolar ao tentar colocá-las com uma calça jeans.

São uma boa opção para quem usa roupas mais largas e não cedeu ao mundo de slim fits em que vivemos hoje. Uma curiosidade: fora do Brasil, elas é que são chamadas de boxers.