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Raynara Negrine: a força silenciosa de quem transformou um sonho em presença internacional

  • há 4 horas
  • 5 min de leitura

Há modelos que desfilam roupas. Outras carregam narrativas. Raynara Negrine pertence à segunda categoria.

Natural de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, ela construiu uma trajetória que parece improvável apenas para quem desconhece o poder da determinação. Descoberta ainda na adolescência, a brasileira saiu de uma realidade simples para conquistar as principais passarelas do mundo, estreando internacionalmente em um dos palcos mais desejados da moda: um desfile de alta-costura da Chanel, em Paris. A partir dali, sua ascensão foi rápida, consistente e respaldada por talento, disciplina e uma presença que ultrapassa a estética.


Em poucos anos, Raynara passou a integrar o seleto grupo das modelos mais requisitadas da indústria, desfilando para maisons como Chanel, Dior, Versace, Hermès, Alaïa, Valentino, Celine, Fendi, Jean Paul Gaultier, Jacquemus, Mugler e Carolina Herrera. Também estampou capas e editoriais de publicações como Vogue Brasil, British Vogue, Dazed, M Le Monde, i-D e CR Fashion Book, consolidando seu nome entre os grandes rostos da nova geração da moda internacional. Em 2025, passou a figurar entre as 50 modelos mais requisitadas do mundo, reconhecimento reservado aos profissionais de maior relevância no mercado fashion global.


Mas sua história vai além dos desfiles e campanhas. Filha de uma trabalhadora doméstica e marcada pela perda precoce do pai, Raynara nunca escondeu suas origens. Pelo contrário: transformou sua trajetória em símbolo de representatividade e inspiração para uma nova geração de meninas que enxergam na moda um espaço possível para ocupar. Em diversas entrevistas, faz questão de destacar que seu maior patrimônio continua sendo a educação recebida da mãe e a consciência de que cada conquista carrega também a responsabilidade de abrir caminhos para outras pessoas.


Hoje, vivendo entre diferentes países, fusos horários e temporadas de moda, Raynara representa uma geração de modelos que entende que imagem também comunica valores. Sua beleza chama atenção, mas é sua autenticidade, sua serenidade diante do sucesso e sua maturidade que fazem dela um dos nomes mais interessantes da moda contemporânea.


Nesta entrevista exclusiva para a VAM Magazine, Raynara fala sobre carreira, identidade, conquistas, desafios, sonhos e o que ainda deseja construir quando as luzes da passarela se apagam.


ENTREVISTA

Origens

Raynara, você costuma dizer que tudo começou ainda na infância. Quando olha para trás, qual lembrança mais representa a menina que sonhava em ser modelo? Coragem e força, que eu sempre tive, e nunca deixei ninguém dizer o contrário.


Sua história é marcada pela força da sua mãe. Quais ensinamentos dela continuam guiando você, mesmo vivendo hoje uma realidade completamente diferente? Ser honesta sempre e nunca deixar ninguém tirar isso de mim.


Em algum momento você imaginou que sairia de Cachoeiro de Itapemirim para construir uma carreira tão internacional, ou tudo ainda parece um pouco surreal? Na verdade, não (risos). E isso faz a minha trajetória ficar cada vez mais iluminada. Sou muito grata por todo o percurso e pela trajetória que consegui vencer, mesmo vindo de uma origem muito humilde.


A moda como profissão

Sua estreia internacional aconteceu pela Chanel, algo que muitos profissionais sonham durante toda a carreira. Como aquele desfile mudou sua forma de enxergar a moda? Sim, 100%. Foi tão mágico e assustador ao mesmo tempo, porque eu nunca tinha feito uma viagem tão glamourosa, nem tido a oportunidade de conhecer tantas pessoas especiais. E tudo isso realizando o meu maior sonho, fora do Brasil, desfilando para uma marca tão incrível e poderosa.


Raynara, você já trabalhou com algumas das maiores maisons do mundo. Existe alguma campanha, desfile ou encontro que tenha marcado você de maneira especial? Sim, e foi com a Celine. Quando fui fazer o casting pela primeira vez, eu não estava tão confiante, devido a tantos altos e baixos, mesmo tendo apenas 17 anos, morando sozinha em Paris e sem falar inglês. Mesmo assim, mal sabia eu que o melhor ainda estava por vir.


Foi quando recebi uma mensagem da minha agente em Paris me dizendo que eu teria o fitting para a Celine, no sul da França. Mal eu sabia que seria tudo em um grande castelo. Foi lá que me apaixonei pelo designer e pela marca! Nunca vou esquecer esse momento.

Esse desfile me ensinou o quão forte e leoa eu era e que eu só precisava confiar em mim e mostrar o grande brilho de Raynara Negrine.


O glamour costuma aparecer nas fotos, mas existe uma rotina intensa por trás delas. Como lida com viagens constantes, fusos horários e a pressão da indústria? Muita terapia, boa alimentação e estar sempre me movimentando diante de qualquer obstáculo, tanto para a saúde mental quanto para a física. Mas, em primeiro lugar, sempre Deus, porque Ele é quem me sustenta neste mundo e em qualquer obstáculo. Foi Ele quem me trouxe até aqui. Então, se eu tenho Deus comigo, consigo superar qualquer desafio.


Representatividade

Representa o Brasil em algumas das passarelas mais importantes do mundo. Raynara, o que significa carregar essa identidade brasileira e capixaba em um mercado tão global? Eu me sinto muito forte, batalhadora e orgulhosa por ter tido a oportunidade de crescer tão bem e de me tornar a mulher que sou hoje, representando o meu grande país, o Brasil.


Como mulher negra, você acredita que a moda tem evoluído em representatividade? O que ainda precisa mudar? Acho que sim, mas ainda há muita coisa que precisa ser mudada. Infelizmente, o racismo está por toda parte. Mesmo estando no ano de 2026, eu ainda fico chocada com a forma como o ser humano pode ser tão mesquinho, sem pensar no próximo e sem acolher o amor, mas sim o ódio.


Muitas meninas enxergam em você uma referência. Existe alguma responsabilidade que vem junto com essa visibilidade? Comente!

Sim, e é uma responsabilidade muito grande, até porque sou uma pessoa pública e ainda muito nova. Mas sempre levo comigo a vontade de dar o meu melhor, amar o próximo e espalhar amor e generosidade.


Além das passarelas

Quando você não está trabalhando, quem é a Raynara longe das câmeras? O que gosta de fazer para se reconectar consigo mesma? Gosto muito de ler a Bíblia, focar nos meus próximos objetivos, ver meus amigos e estar sempre me motivando a crescer cada vez mais.


Depois de tantos países, culturas e experiências, o que mais mudou na sua forma de ver o mundo? Acho que passei a ver tudo com mais atenção, até porque sei que não vou fazer isso para sempre. Amo aprender novas culturas, mas também tive que aprender a sentir tudo isso, porque nunca pensei que sairia da minha cidade, teria tantos passaportes como tenho agora e seria tão abençoada por ter essa oportunidade fazendo o que amo.


Futuro

Raynara, você ainda é muito jovem, mas já construiu uma carreira admirável e que inspira muitaas. Quais sonhos continuam ocupando espaço na sua lista de desejos? Acho que muitos. Sou muito sonhadora e tenho uma boca muito abençoada, graças a Deus. Então, espero viver muitas coisas boas e grandes pela frente.


Se pudesse deixar uma mensagem para aquela menina que hoje sonha em seguir seus passos, mas ainda acredita que esse universo está distante, o que diria? Vai, só vai! Coloque Deus sempre à frente e nunca se esqueça de que quem sempre apostará em você será você mesma. Então, faça o seu melhor, busque o máximo de informação e voe, porque você mesma é a sua máquina de sonhos. Você só precisa confiar e acreditar. Tendo isso, encontrará a sua chave de ouro. Depois, é só abraçá-la com todas as forças e manter sempre os pés no chão, porque aprendi que ter os pés no chão é entender que tudo faz parte de um processo. E, entendendo isso, você chegará a lugares que nunca imaginou alcançar.


Photography: Adriano Damas

Editor Chefe & Entrevista: Antonnio Italiano

Styling: Alessandro Finizia

Beauty: Cris Biatto

Art Direction: Tomaz Aquino

Press: Equipe D

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