Universidade Federal de Santa Maria é referência de ensino e arte no Rio Grande do Sul

Giovana Dutra

Fundada e idealizada pelo Prof. Dr. José Mariano da Rocha, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi a primeira instituição de ensino superior pública e federal criada fora de uma capital brasileira, com o objetivo de promover a interiorização do estado. No dia 18 de dezembro de 1960, ocorreu a solenidade de criação da Universidade de Santa Maria (USM), no Palácio das Esmeraldas em Goiânia. Essa data marca o momento que viria a mudar significamente todo o curso do desenvolvimento urbano da cidade de Santa Maria e dos demais municípios que por ela são influenciados.

Universidade (substantivo), do latim universitas: qualidade do é universal, totalidade, unidade, conjunto de coisas que constituem um todo. Esse significado denota muito sobre a instituição. Hoje, a UFSM é um polo educacional que gera conhecimento, promove pesquisas técnico-científicas e ações culturais com um impacto que vai muito além da academia e do campus. Os seus três pilares principais, ensino, pesquisa e extensão, transformam a realidade não só de alunos e docentes, mas também atendem toda a sociedade e os indivíduos, promovendo diariamente o exercício e manutenção da cidadania.


O portal UFSM em Números contabiliza cerca de 30 mil alunos matriculados em 272 cursos (graduação, pós-graduação, ensino médio e pós-médio), ofertados pelo campus-sede em Santa Maria e outros três campi em Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul. Entretanto, seu impacto ultrapassa barreiras regionais. Em estudo promovido por uma instituição britânica, o The Impact Ranking, que faz uma avaliação global do impacto social e econômico das universidades, a UFSM aparece nos rankings Fome Zero; Erradicação da Pobreza; Trabalho Decente e Crescimento Econômico; e, Cidades e Comunidades Sustentáveis. Ela alcançou a colocação 401º a 600º no ranking global e 14ª posição de universidades nacionais.


Para chegar até aqui e se tornar essa referência em ensino, ciência e arte, a universidade percorreu um longo caminho. Inicialmente, em 1960, a instituição contava com as faculdades de Farmácia, Medicina, Odontologia e o Instituto Eletrotécnico do Centro Politécnico.

Em 1962, o Estatuto da USM instituiu as faculdades de Agronomia, Veterinária, Belas Artes e Filosofia, Ciências e Letras e outros institutos. Somente em 1965 ela foi federalizada e reestruturada, tornando-se oficialmente a UFSM. Após, em 1970, foi fundado o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), que até hoje atua como hospital-escola, com a atenção voltada para o desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da assistência em saúde. Ele representa uma referência em saúde do centro do estado, e abrange 43 municípios e uma população de mais de um milhão de habitantes.

A arte na UFSM

Dois anos mais tarde da sua criação, foi instituída a Faculdade de Belas Artes. Iniciou com o curso de Música, e no ano seguinte teve a inclusão do curso de Desenho e Plástica. Nessa época, surgiu o Coral e a Escolinha de Artes. A Escolinha era um setor da faculdade onde os alunos da graduação praticavam a licenciatura orientando crianças, de 5 a 12 anos, que realizavam atividades semanais de pintura, teatro e carpintaria. Ao longo da década de 70, a universidade abriu o ramo das Letras, Desenho Industrial e Artes Cênicas. Com a reestruturação administrativa em 1978, a Faculdade de Belas Artes passou a se chamar Centro de Artes e Letras (CAL), como permanece até hoje.

Uma iniciativa recente foi a criação da Coordenadoria de Cultura e Arte - Pró-reitoria de Extensão (CCA-PRE), em 2018, responsável por gerir a política institucional, cuidar do patrimônio e estimular a produção artística e cultural da universidade, bem como a sua circulação, possibilitando a universalização do acesso à cultura e arte. De acordo com a coordenadora, Prof. Vera Lucia Portinho Vianna, o diferencial dos últimos anos é que a instituição voltou a olhar de forma decisiva para as ações de arte e cultura, possibilitando a criação de novos projetos e fortalecendo aqueles já existentes. “Além de promover eventos, é importante que a universidade desenvolva ações de fomento de inserção e reflexão cultural para a comunidade, abrindo possibilidades de participação e integração entre os diversos setores da sociedade”, explica a professora.


A partir de 2018, com a inauguração do Centro de Convenções, a CCA-PRE conseguiu estabelecer uma programação cultural variada que atingiu diferentes públicos, chamando atenção para a importância da instituição no âmbito cultural. O Centro denota o protagonismo que a universidade exerce junto à comunidade acadêmica e à sociedade em geral, na luta da democratização do acesso à cultura e a arte, atendendendo solenidades de colação de grau, eventos científicos, espetáculos e demais conferências que antes eram restritas a estruturas que não possuíam no município.

Existem outros espaços, com uma longa história, que contribuem para a produção e circulação artístico-científica da UFSM. O Museu Gama D’Eça, localizado na Rua do Acampamento, possui exposições permanentes, de temas variados, que mantêm viva a história de Santa Maria e desenvolve projetos educacionais, seminários, cursos e visitas mediadas. O Planetário, tem o objetivo de desenvolver a consciência visual e enriquecer a cultura científica e intelectual dos visitantes, facilitando o entendimento da astronomia. E por último, a Orquestra Sinfônica, que desenvolve atividades de ensino e extensão em parceria com os cursos de Música, e apoia inserções didáticas nas comunidades da região central do estado.

Com a suspensão das atividades presenciais em 2020, os eventos culturais foram adaptados para o online e ganharam um grande público desde o início da pandemia. As pessoas passaram a assistir filmes, shows, concertos e visitar tours virtuais a museus e galerias de arte, diretamente da própria casa. A coordenadora Vera Lucia, compartilha que transformar as atividades pensadas para o modelo presencial em modelo virtual foi um desafio, mas fundamental para dar continuidade às manifestações artísticas.


Olhando para esse histórico, é notável que desde sempre a UFSM tem um olhar voltado para as artes e a cultura. A arte é uma forma de expressão com grande importância para o desenvolvimento humano, que pode ser entretenimento, mas também vai muito além disso. É uma maneira de representar emoções, história e cultura em diferentes linguagens e formas, ultrapassando barreiras comunicativas e expandindo a visão de mundo dos indivíduos. E a universidade não falha em promover a sua difusão na academia e na cultura popular.


Lançamento: A artista gaúcha Mandy Candy.​

Projeto executado: Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas realizado com recursos da Lei nº 14.017/20 (Lei Aldir Blanc).


Foto 1

Legenda: Entrada do campus da Universidade Federal de Santa Maria, em Camobi.

Créditos: Jéssica Medeiros.


Foto 1.2

Legenda: Memorial Mariano da Rocha.

Créditos: Jéssica Medeiros.


Foto 2

Legenda: Vista aérea da UFSM. 1960 a 1990.

Créditos: Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria.


Foto 3

Legenda: O início do Hospital Universitário de Santa Maria.

Créditos: Projeto Retalhos da Memória de Santa Maria.


Foto 4

Legenda: Inauguração de Mural no Centro de Artes e Letras.

Créditos: Projeto Retalhos da Memória de Santa Maria.


Foto 5

Legenda: Escolhinha de Artes da UFSM.

Créditos: Departamento de Arquivo Geral (DAG - UFSM)


Foto 6

Legenda: Centro de Convenções.

Créditos: Jéssica Medeiros.


Foto 6.2

Legenda: Centro de Convenções. Foto interna.

Créditos: Assessoria de Comunicação Gabinete do Reitor da UFSM.


Foto 7

Legenda: Museu Educativo Gama D’Eça

Créditos: Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria


Foto 8

Legenda: Planetário da UFSM.

Créditos: Jéssica Medeiros.


Foto 8.2

Legenda: relógio do sol do Planetário da UFSM.

Créditos: Jéssica Medeiros.


Foto 9

Legenda: Orquestra sinfônica de Santa Maria.

Créditos: Departamento de Arquivo Geral (DAG - UFSM)


Foto 9.2

Legenda: Orquestra sinfônica de Santa Maria.

Créditos: Departamento de música da UFSM.