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Em um mundo de excesso de informação, por que ainda é tão difícil compreender a si mesmo?

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Arteterapeuta Myrian Romero explica como as mandalas terapêuticas ajudam a acessar emoções, padrões e conteúdos internos que muitas vezes não encontram espaço na linguagem racional.

Vivemos uma época marcada pelo acesso ilimitado à informação. Livros, podcasts, cursos, terapias, aplicativos de meditação e conteúdos sobre desenvolvimento pessoal nunca estiveram tão disponíveis. Ainda assim, muitas pessoas seguem sem conseguir responder perguntas fundamentais sobre si mesmas: o que realmente estou sentindo? O que está me impedindo de seguir em frente? Por que continuo repetindo determinados padrões?


Para Myrian Romero, arteterapeuta transpessoal há mais de 30 anos, professora de programas de pós-graduação, especialista em mandalas terapêuticas e fundadora do CEIMAS, a resposta pode estar no fato de que nem tudo pode ser compreendido apenas por meio das palavras.

"Vivemos uma época de excessos. Excesso de informação, de estímulos, de telas, de opiniões e de metas a cumprir. Sabemos cada vez mais sobre o mundo, mas nem sempre sabemos o que estamos sentindo ou por que continuamos repetindo determinados comportamentos", afirma.

É nesse contexto que a mandala terapêutica ganha espaço como ferramenta de autoconhecimento e desenvolvimento humano. Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, ela não está relacionada à habilidade artística ou a atividades recreativas. Trata-se de uma prática que utiliza formas, cores e símbolos para permitir que emoções, conflitos, desejos e conteúdos inconscientes encontrem expressão visual.


Segundo Myrian, as imagens têm a capacidade de revelar aspectos da experiência humana que muitas vezes permanecem ocultos até mesmo para quem os vivencia.

"Uma pessoa pode passar horas tentando explicar racionalmente um conflito afetivo e, ao construir uma mandala, representar uma porta fechada ou uma ponte interrompida. De repente, aquilo que parecia confuso ganha forma. A imagem torna visível algo que ainda não havia sido reconhecido conscientemente", explica.

O mesmo acontece em momentos de transição. Não é incomum que alguém afirme estar pronto para mudar de carreira ou iniciar uma nova fase da vida, mas represente simbolicamente elementos que revelam resistência, medo ou necessidade de elaboração antes do próximo passo.


Esse potencial das imagens chamou a atenção do psiquiatra suíço Carl Jung ainda no início do século XX. Ao observar as mandalas produzidas por seus pacientes, e também ao criar as próprias diariamente, Jung percebeu que essas imagens costumavam surgir em períodos de crise, transformação ou reorganização psíquica. Para ele, a mandala representava um movimento natural em direção à integração da personalidade e ao processo de individuação, conceito que descreve o caminho de nos tornarmos aquilo que verdadeiramente somos.


No Brasil, a psiquiatra Nise da Silveira também contribuiu para ampliar o reconhecimento da expressão simbólica como ferramenta de acesso ao mundo interno. Seu trabalho evidenciou como imagens e símbolos podem favorecer processos de saúde emocional, criatividade e transformação.


Décadas depois, esse olhar segue atual. De consultórios e grupos terapêuticos a programas voltados para desenvolvimento de lideranças, a utilização de recursos expressivos tem despertado interesse crescente entre pessoas que buscam compreender a si mesmas de forma mais profunda.


Segundo Myrian, isso acontece porque as imagens conseguem acessar dimensões da experiência humana que nem sempre estão disponíveis para a consciência imediata.

"Às vezes, a pessoa chega falando apenas de cansaço e encontra símbolos ligados à criatividade, ao desejo de realização ou a recursos internos que estavam esquecidos. Em outras situações, percebe medos e bloqueios que ainda não haviam sido nomeados. A imagem amplia a consciência e frequentemente mostra possibilidades que ainda não haviam sido consideradas", afirma.

Mais do que identificar dificuldades, a mandala terapêutica também pode favorecer o contato com recursos internos relacionados à criatividade, vitalidade, propósito e capacidade de transformação.

"Existe uma sabedoria dentro de cada pessoa que sabe o que a faz sentir-se viva. Muitas vezes, ela se manifesta primeiro por imagens, símbolos e sensações, antes mesmo de encontrar palavras. O trabalho terapêutico consiste em criar espaço para que essa sabedoria possa ser escutada", conclui.

Sobre Myrian Romero

Myrian Romero é arteterapeuta, pós-graduada em Psicologia Transpessoal e Gestão Emocional nas Empresas pelo Hospital Albert Einstein e Santa Barbara Institute. Há mais de 30 anos atua acompanhando pessoas em processos de autoconhecimento e transformação e, há quase duas décadas, participa da formação de profissionais em cursos e programas de pós-graduação. Seu trabalho integra arte, psicologia transpessoal e meditação, utilizando mandalas, imagens e arquétipos como ferramentas para ampliar a consciência e promover processos de desenvolvimento humano.


Serviços

  • Atendimento individual

  • Processo terapêutico Mandala 360°

  • Cursos e formações em arteterapia e mandalas

  • Palestras, workshops e grupos de desenvolvimento humano

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