Cooperativa Vinícola Garibaldi: Uma história de mais de 90 anos

A história da Cooperativa Vinícola Garibaldi está intrinsicamente ligada à presença da imigração italiana na cidade. O município, antiga colônia Conde D’Eu, era um dos três centros colonizadores da região preparados para receberem os imigrantes – os outros eram as colônias Caxias, atual Caxias do Sul, e Dona Isabel, hoje Bento Gonçalves. Entre as várias atividades econômicas estabelecidas por eles na região uma acabou por determinar uma vocação da região: a viticultura.

Como muitas das histórias envolvendo estabelecimentos cooperativos, as dificuldades de mercado nortearam também a criação da vinícola. Tudo gravitou em torno de um período especialmente conturbado da história, o crash da bolsa de Nova York, em 1929. No Brasil, um outro fator se impôs, a Revolução de 1930, que impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e colocou no poder Getúlio Vargas, dando fim à República Velha.

Na Garibaldi de 1931, o cenário após esses episódios não era animador para os viticultores. Eles tinham problemas para dar vazão à produção, ocasionada pela dificuldade de comercialização, e de escoar o vinho para os centros consumidores. Mas o apoio ao movimento cooperativista dentro dos governos brasileiro e gaúcho acabou mudando essa realidade. O primeiro foi essencial para juntar os primeiros produtores a fim de se associarem para combater as dificuldades, enquanto o segundo concedeu privilégios fiscais às cooperativas. Assim, em 22 de janeiro de 1931 surgia a Cooperativa Agrícola Garibaldi, atual Cooperativa Vinícola Garibaldi.


Depois de uma rápida expansão nos anos seguintes, chegando a ser reconhecida como a maior cantina cooperativa das Américas antes de 1950, a empresa sofreu nos anos 1970 alguns contratempos a partir de escolhas equivocadas na década anterior. A crise se abateu, e por cinco anos a vinícola chegou a operar sob intervenção.


Nos anos 1980 e 1990, a cooperativa começou a se recuperar, e nos 2000 ingressou teve fôlego para se modernizar. O espumante ganhou evidência, equipamentos foram adquiridos e um aprimoramento técnico, enológico e agrícola se sucedeu na organização, bem como um estudo de marca e produto. A permanente qualificação da cadeia produtiva e o trabalho próximo ao produtor trouxeram qualidade a vinhos, espumantes e sucos.

Tudo reconhecido pelos mais diversos prêmios recebidos mundo afora. Em 2018 e em 2019, por exemplo, a vinícola foi a brasileira mais premiada no mundo. O sucesso de crítica também foi sucesso de público, e o faturamento da casa cresceu em sintonia com tamanho êxito. Em 2021, a Vinícola Garibaldi cresceu quase 30%, dando comprovação, mais uma vez, da sua solidez financeira e de sua caminhada rumo a se tornar referência em espumante a partir do ano que vem. E, assim, seguindo em ser um orgulho para suas quase 450 famílias associadas.