Feng Shui como processo criativo: a nova abordagem da arquiteta Lais Piazza
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Longe do misticismo e cada vez mais presente no mercado profissional, o Feng Shui passa a ser utilizado como uma ferramenta estratégica na criação de espaços que vão além da estética, promovendo bem-estar e intenção no projeto.

Editorial: A Ergonomia do Invisível
Você não precisa mudar o seu estilo arquitetônico ou a sua estética criativa para aplicar o Feng Shui nos seus projetos. Quando visto de uma forma prática e moderna, ele não limita, ele aprimora aquilo que já está sendo criado.
Claro que, em alguns casos, devido a limitações espaciais, nem todas as orientações podem ser aplicadas integralmente. Mas isso não significa que o Feng Shui deixa de ser relevante. Pelo contrário: ele passa a atuar como um direcionamento estratégico dentro do processo criativo. Hoje, quem contrata um arquiteto busca mais do que uma simples sugestão de cor ou seguir tendências de mobiliário. Existe uma expectativa por algo que vá além do físico: uma experiência de bem-estar dentro do espaço.
É nesse ponto que o Feng Shui se conecta com a arquitetura de forma mais contemporânea. Estamos falando de uma reorganização do ambiente que considera não só a funcionalidade e a estética, mas também a forma como aquele espaço é sentido. Uma espécie de ergonomia sensível, onde a disposição dos elementos influencia diretamente na fluidez e na percepção do ambiente.
Da mesma forma que o arquiteto escolhe, por exemplo, um tom mais suave e acolhedor para o quarto de uma recém-nascida, o Feng Shui também orienta decisões que impactam o resultado final do projeto, mesmo que de forma sutil. Apesar de trabalhar com elementos materiais, o efeito muitas vezes é percebido de maneira imaterial. Assim como o briefing é uma etapa essencial para entender as necessidades do cliente, o Feng Shui pode ser incorporado como mais uma camada dentro do processo de criação.
E nem sempre isso precisa ser explicitado. Em muitos casos, ele funciona como um cuidado a mais, uma atenção diferenciada que o cliente talvez não saiba nomear, mas certamente percebe. Porque, no fim, projetos não são apenas sobre estética. São sobre como as pessoas se sentem dentro deles.”
Entrevista: Lais Piazza
Você acredita que o Feng Shui ainda é visto como algo místico dentro da arquitetura? Sim, ainda existe muito essa percepção, principalmente entre leigos e até mesmo dentro do meio profissional. O Feng Shui acaba sendo associado a algo mais alternativo, distante da prática técnica da arquitetura. Mas o que eu venho propondo é justamente uma nova forma de olhar para isso: mais prática, moderna e integrada ao processo criativo.
Então é necessário mudar o estilo do projeto para aplicar o Feng Shui? De forma alguma. Você não precisa mudar o seu estilo arquitetônico ou a sua estética criativa para aplicar o Feng Shui. Quando bem compreendido, ele não limita; ele aprimora aquilo que já está sendo projetado.
E como isso funciona na prática? Claro que, em alguns casos, devido a limitações espaciais, nem todas as orientações podem ser aplicadas integralmente. Mas eu gosto de enxergar o Feng Shui mais como um direcionamento do que como regras rígidas. Ele entra como uma camada estratégica dentro do projeto.
O cliente percebe essa aplicação? Nem sempre de forma consciente. E nem precisa. O cliente não necessariamente precisa saber que o projeto está sendo pensado com base no Feng Shui — a não ser que isso faça parte do posicionamento do profissional. Mas ele sente. Existe uma diferença clara na forma como o espaço é percebido.
Que tipo de diferença? Hoje, quem contrata um arquiteto busca mais do que estética ou tendência. Existe uma busca por bem-estar, por um espaço que funcione e que faça sentido. O Feng Shui atua justamente nisso: na forma como o ambiente é sentido. Estamos falando de uma reorganização do espaço que vai além do físico, quase como uma ergonomia mais sensível, onde a disposição dos elementos influencia na fluidez e na experiência daquele ambiente.
Pode dar um exemplo prático dessa aplicação? Da mesma forma que um arquiteto escolhe um tom mais suave e acolhedor para o quarto de uma recém-nascida, pensando na sensação que aquele ambiente vai transmitir, o Feng Shui também orienta decisões que impactam o resultado final do projeto, mesmo que de forma mais sutil.
O Feng Shui entra em qual etapa do projeto? Ele deve ser incorporado junto ao processo criativo. Assim como usamos o briefing para entender as necessidades do cliente, o Feng Shui entra como mais uma ferramenta de leitura e organização do espaço.
Qual é o principal diferencial dessa abordagem? É o cuidado. É sair de um processo automático, de “copiar e colar”, e realmente pensar o espaço de forma mais profunda. Mesmo trabalhando com elementos materiais, o resultado muitas vezes é sentido de forma imaterial. Isso faz com que o cliente perceba o projeto como algo único, mesmo que ele não saiba exatamente explicar o porquê.



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