Fernando Fernandes, multifacetado, o atleta é uma potência nos esportes, como comunicador e creator

O tetracampeão Mundial, Tricampeão Paramericano, Tetracampeão Sul-Americano e Tetracampeão Brasileiro em paracanoagem, Fernando Fernandes está na capa da revista VAM Magazine de outubro.


Redatora Dra. Andréa Ladislau - Colunista VAM Magazine


Fernando Fernandes é atleta, apresentador e creator apaixonado por esportes e aventuras. Recentemente lançou um canal no Youtube, onde mostra suas vivências e experiências extraordinárias mundo afora. Além disso, é apresentador em quadros do Esporte Espetacular, na Globo, e possui o programa ‘’Além dos Limites’’, no Canal Off.


Fernando sempre se interessou pelos esportes, na infância foi jogador de futebol profissional e boxeador amador. Além disso, foi modelo internacional estrelando campanhas como Dolce & Gabbana e Abercrombie & Fitch, entre outras. Ficou ainda mais conhecido pelo público após sua participação no reality Big Brother Brasil 2.


Em julho de 2009 sofreu um acidente de carro em São Paulo, que o deixou paraplégico. Depois do acidente, Fernando começou a treinar canoagem em Brasília, durante a reabilitação no hospital. Desde então, tornou-se um atleta paralímpico respeitado, sendo Tetracampeão Mundial, Tricampeão Paramericano, Tetracampeão Sul-Americano e Tetracampeão Brasileiro em paracanoagem.


Fora das Paralimpíadas desde 2016, decidiu desbravar esportes adaptados e se aventurar no máximo de atividades que puder. O atleta pratica Kitesurf, voo livre, paramotor e ciclismo, além das diversas aventuras e viagens que realiza ao redor do mundo. No mês das paraolimpíadas, Fernando Fernandes quebrou paradigmas ao realizar um voo com Paratrike duplo, acompanhado por sua amiga e ex-ginasta, Laís Souza. Esta foi a primeira vez na história onde dois cadeirantes voaram juntos.


O atleta se preocupa tanto com a sua preparação física quanto mental e se dedica ao máximo em cada atividade que se propõe a fazer. Ele acredita que pessoas são potências e que podem sempre superar qualquer desafio.


Assista a live com Fernando Fernandes no Instagram da revista VAM Magazine.



Como apresentador, Fernando Fernandes estreou no quadro "Desafio sem Limites", aos domingos, e atualmente, comanda o “Sobre Rodas”, ambos no Esporte Espetacular, da Rede Globo. Com isso, conquistou um programa para chamar de seu, e apresenta o “Além dos Limites”, no Canal Off. Além disso, foi um dos comentaristas das Paralimpíadas do Rio2016, e Tóquio em 2020, realizada em 2021 por conta da pandemia.


Por meio de seu canal no Youtube, criado em junho de 2021, Fernando tem como objetivo mostrar a vida de uma perspectiva diferente. E é desta maneira que ele vive, o atleta e apresentador acredita que a forma com que os obstáculos são superados tornam a vida melhor e mais leve. Nos vídeos, publicados semanalmente, ele apresenta suas vivências e experiências extraordinárias mundo afora.


Fernando Fernandes é uma potência, e uma inspiração para pessoas com ou sem algum tipo de deficiência, seja nos esportes, no estilo de vida saudável, em sua carreira, como empreendedor ou pela sua história de vida.


Atualmente, o atleta vive entre São Paulo e Taíba, no Ceará, há 70km de distância da capital Fortaleza. Namora com a top model Laís Oliveira, com quem pretende casar e ter filhos.


ENTREVISTA

Um ano após seu acidente, você já se tornou campeão mundial de Paracanoagem, na Polônia. A que você atribui essa resiliência, força e equilíbrio?

Desde o começo eu percebi que eu teria que me reinventar, criar um novo caminho e abrir novas portas. Eu entendi que eu estava em um mundo completamente novo, que só dependia de mim sair dele e criar algo novo. Ainda no centro de reabilitação eu descobri que eu poderia ser o que sempre sonhei na minha vida, eu sempre quis voltar a ser atleta, mas dessa vez seria de uma forma diferente. Um dia eu sentei em um caiaque como forma de reabilitação e me despertou algo muito grande, uma sensação de capacidade junto com uma liberdade que eu não sentia em terra. Quando eu sentei naquele objeto, eu senti que era aquilo que eu queria para minha vida, ser um canoísta. Aquela sensação me despertou uma força, uma sensibilidade e uma liberdade para ir e vir como qualquer pessoa dentro da água e ali eu tive a certeza: esse vai ser o meu instrumento de reinvenção e a minha ferramenta de comunicação para o mundo, por meio do esporte eu vou quebrar paradigmas e vou me reinventar como pessoa.


Há pouco tempo, você disse em uma entrevista: “Mesmo nas dificuldades podemos ter leveza”. Como e de que forma você conseguiu ou consegue ressignificar os desafios da vida?

Eu passei a dar mais valor à caminhada do que ao fim da caminhada. A gente vive sempre esperando para conquistar algo e poucas vezes entendemos que a conquista está no dia a dia, está na luta, e na dificuldade, e é a dificuldade que nos faz forte, inteligente e ter o coração aberto para o mundo. A chave que eu virei na minha vida foi de não esperar o resultado final, e sim curtir o processo, a caminhada e dentro da dela existem pedras, flores e muitas outras coisas, já que não é uma linha reta, é uma linha cheia de curvas e dificuldades, e quanto mais a gente curte esses obstáculos diários, mais a gente encontra a felicidade e se encontra na vida.


Como você se encontrou nas Paraolimpíadas?

O esporte sempre fez parte da minha vida, então eu sabia que era ele que iria me tirar daquele momento de dificuldade, eu só não sabia como. No centro de reabilitação Sarah eles usam o esporte como uma forma lúdica para entreter enquanto está se reabilitando, e ali mesmo eu vi que eu precisava criar novas formas para mim e me adaptar novamente ao esporte, eu precisaria conhecer tudo novamente e criar adaptações para aquilo que estava vivendo. Ali eu tive a iniciação, mas eu sempre tive muito claro que eu queria mais, então eu teria que criar minhas novas formas de realizar. O Sarah despertou tudo aquilo em mim, mas o dom e o amor que eu tenho pelo esporte me fizeram querer mais.

Quando eu comecei na canoagem, ele não era um esporte paralímpico, eu ajudei a torna-lo paralímpico e entreguei tudo que tinha para a canoagem e depois parti para um novo mundo. Hoje eu me considero um desbravador de esportes adaptados, sou um kitesurfista, piloto de voo livre, de paramotor e parapente. Eu fui para a Brasília para realizar os tratamentos da paraplegia e lá comecei a treinar canoagem, durante reabilitação. Dalí, eu, que já era apaixonado por esportes, me encantei pelas modalidades aquáticas e entendi que eu poderia realizar tudo que eu quisesse, com muita dedicação. Passei a treinar pela minha recuperação e pela paixão, insistindo na minha força física e mental, e por ser acostumado com esportes, logo aconteceu de participar das Paralimpíadas. Então eu não sinto que me encontrei, eu me reencontrei.

Qual seu maior medo na vida?

Os medos fazem parte do processo da nossa vida, do autoconhecimento, de concentração e buscar nossas certezas. O medo é um termômetro, eu me deparo com algumas situações que me trazem medo, mas eu aprendi a controlar esse medo e fazer desse medo algo positivo para mim. Então eu não tenho o maior medo da minha vida, eu tenho medos momentâneos que são termômetros na hora de tomar decisões e as melhores decisões foram nos momentos mais difíceis, é onde eu aprendo a controlar minha ansiedade, onde eu aprendo a controlar minhas dúvidas e incertezas. Eu aprendi que o medo vem quando você não tem muito conhecimento sobre algo e quando você se engaja e busca conhecimento sobre aquilo que você se propõe a fazer, esse medo acaba se tornando o autocontrole.


Como tem sido passar por essa pandemia?

A pandemia foi um momento de dificuldade para o mundo inteiro, mas eu já tive outras “pandemias” na minha vida, momentos que fogem do nosso controle e temos que lidar com a situação. Quando eu perdi o movimento das pernas, o controle daquela situação também não estava nas minhas mãos, mas o que eu iria fazer dali em diante, sim. Durante essa pandemia eu tentei me filtrar e trazer notícias boas para dentro de mim, escutar coisas boas, comer coisas boas e continuar praticando esporte para manter minha saúde física e mental. Busquei esse equilíbrio com todos ao meu redor, eu tive a minha namorada ao meu lado esse tempo todo, que me ajudou a seguir esse equilíbrio. Sempre torcendo para que não só dentro de casa, mas o mundo pudesse passar aquele momento de dificuldade de forma mais serena. Eu tive perdas na família, perdi um primo querido e foi muito doloroso, a minha mãe também passou por momentos de dificuldade durante a pandemia. Mas eu aprendi a viver essas “pandemias”, e a buscar a saúde, acredito que quando a gente está equilibrado com a saúde física e mental, enfrentamos esses momentos de dificuldade com um pouco mais de clareza e serenidade. Realmente continua sendo um momento muito difícil para o mundo como um todo, estamos sofrendo as consequências, como o desiquilíbrio econômico, o desiquilíbrio psíquico que todos estamos enfrentando e tentamos se reequilibrar e se encontrar novamente. Apesar de estarmos vivendo esse momento, tentei me filtrar um pouco e ajudar quem estava ao nosso redor, se protegendo e respeitando às normas de seguranças.

Podemos dizer que o esporte empoderou você após o acidente?

Eu tenho um defeito e uma qualidade, sou perfeccionista. Tudo que me proponho a fazer, eu quero fazer da melhor forma e ás vezes pode ser bom, porque você sempre está exigindo o melhor de você mesmo e com muita vontade, por outro lado, pode ser muito ruim porque você acaba tendo um senso crítico muito forte e me consome também. Tudo para mim tem que ser feito com excelência e tudo que faço, busco fazer de forma intensa e mais bem-feita possível. A partir do momento que você está em uma cadeira e é considerado “incapaz” por ter uma deficiência física, você tem que provar dez vezes mais que você é bom naquilo que você faz e é por isso que tudo que me proponho, eu tenho que fazer dez vezes com mais intensidade do que eu fazia antes, para conquistar meu espaço no mundo, para ter voz e lutar por aquilo que eu acredito.


Atuar, entrevistar, ser comentarista ou disputar medalhas no esporte, qual destas atividades mais exige de você e o instiga, ao mesmo tempo, a romper barreiras?

Eu adoro me comunicar com as pessoas, apresentar e comentar sobre as coisas que me identifico. E o esporte sempre foi minha paixão. O esporte acaba dependendo mais da minha garra e por meio disso, sempre percebo coisas novas e mais obstáculos eu posso vencer, assim rompendo as barreiras físicas e mentais. Mas ambas atividades me fazem sentir forte e vitorioso.

O que mais falta para o Fernando conquistar na vida? Onde você quer chegar?

No momento, quero conquistar na vida minha família, ter filhos. Eu tenho conquistado muita coisa que me faz muito feliz, mas eu quero dividir as minhas conquistas. Eu tenho meu instituto, onde eu tento proporcionar uma oportunidade e sempre procuro ajudar quem se aproxima de mim, eu tenho esse espirito de coletividade, mas eu quero fazer mais ainda. Por isso, eu quero muito ter minha família e quem sabe ampliar meu projeto social e trazer mais pessoas, criar mais oportunidades e crescer esse espirito de coletividade para a sociedade como um todo.


Qual mensagem você deixa para aquela pessoa que, por conta dos desafios da vida e as dificuldades, se sente derrotado e incapaz de seguir em frente?

A mensagem que costumo deixar para todas as pessoas que me procuram é direta e reta: LUTE! Eu luto incansavelmente e diariamente, não é porque tenho conquistado muitas coisas na minha vida que as lutas diminuíram, elas só aumentaram. Continue lutando, as vezes a briga é sua e interna, e só você vai conseguir se entender com você mesmo, por isso, LUTE!


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