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Fred Ramon, pernambucano e filho de faxineira que, aos 20 anos, passou para 9 universidades nos EUA

Atualizado: 4 de out. de 2021

Ressignificando sonhos e conquistando a Califórnia: conheça a história de Fred Ramon, o pernambucano e filho de faxineira que, aos 20 anos, passou para 9 universidades norte-americanas

“There's nothing wrong with loving who you are. She said: because He made you perfect, babe. So hold your head up- Não há nada de errado em amar quem você é. Ela dizia: Pois Ele te fez perfeito. Então, levante a sua cabeça”. Nos versos de Born this Way, de Lady Gaga, Fred Ramon, de apenas 20 anos, encontrou a garra que impressiona qualquer pessoa que para um momento do dia para conhecer a história do pernambucano fã de Lady Gaga e de Christina Aguilera. E não é por menos: o jovem nordestino e filho de faxineira foi aprovado em 9 universidades dos EUA! A escolhida entre as nove foi a Whittier College, em LA, onde ganhou uma bolsa de 70%.


Quando li a história de Fred no Facebook, na mesma hora, meu instinto materno bateu forte e sabia que precisava não só conhecê-lo, mas recebê-lo em Los Angeles para saber mais de perto a sua história e mostrar pra ele um pouco dessa cidade que há mais de 30 anos conquistou o meu coração e, tenho absoluta certeza, que já conquistou o delemuito tempo antes de pisar em solo californiano.

Monica: O seu sucesso no vestibular norte-americano foi impressionante. Para quais faculdades você passou?

Fred: Além da Whittier College, onde optei por estudar, passei para a Universidade de Inovação ASU; Manhattanville College; University of La Verne; TempleUniversity; University of Arizona; Adelphi University;Florida Tech e Stetson University.


Monica: O que vai estudar?

Fred: Vou estudar Ciência da Computação e Estudos Globais.


Monica: Quais as suas inspirações?

Fred: Minhas maiores inspirações vêm da música, Christina Aguilera e Lady Gaga. A música despertou em mim o desejo, desde jovem, de aprender inglês para entender o que a Christina falava. Além disso, sou um artista, bailarino. Desde pequeno, admirava a cultura americana como um todo e sempre fui um curioso, queria saber tu-do sobre os EUA. Tanto com a Aguilera quanto com a Gaga aprendi uma lição que levo pra vida: o poder de ressignificar. Ressignifico tudo, principalmente aquilo que é ruim. É por isso que hoje estou aqui. Porque não desisti, persisti na conquista dos meus sonhos! E assim nasceu a minha vontade de estudar e morar nos EUA!


Monica: Por que escolheu estudar na Califórnia?

Fred: Escolhi a Califórnia porque, em primeiro lugar, é o berço do entretenimento e, como artista, não há outro lugar do mundo para querer estar. E também porque é na Califórnia que estão as principais empresas de tecnologia e inovação.

Monica: Como era sua rotina de estudos?

Fred: Como eu sabia que pra estudar fora só seria possível com bolsa, não tinha outra saída a não ser uma rotina pesada de estudos e de muita dedicação. Lembro que no último Ano Novo, via todo mundo se divertindo e vendo os fogos, enquanto eu estava no computador compenetrado nos meus estudos. Eu estudava todos os dias durante 8h.


Monica: Como você organizou seus estudos?

Fred: Como estudava 8h por dia, eu fui criando estratégias para ser mais assertivo. Primeiro, durante uns meses, eu montei um banco de dados com questões das provas, porque, mais importante que estudar temas isolados, era estudar fazendo simulados. Pois assim, conseguia cronometrar o tempo que passava em cada questão, além de começar a compreender a dinâmica das provas e como abordavam as temáticas. A gente sabe que começar a estudar com temas aleatórios pode nos travar, então, não tem nada melhor que estudar fazendo simulados. Assim, além do tempo, você consegue compreender como os temas são abordados e, assim, entender minimamente os detalhes que eles exigem. Isso sem contar que estudei em um notebook completamente velho e com a tela quebrada, então não era qualquer lugar que podia estudar. Eu não tinha dinheiro para consertá-lo e também não podia ficar sem ele, pois era a minha única ferramenta de estudos.


Monica: Sentiu alguma diferença entre os dois países?

Fred: Por incrível que pareça, não. Como sempre fui apaixonado pela cultura dos EUA desde muito pequeno e por consumir muita coisa daqui eu já estava habituado com a cultura, então, não senti um choque. Era exatamente como eu imaginava! Além disso, um dos motivos que escolhi a Califórnia é pelo fato de ser um estado diverso, de pessoas diferentes e, em sua maioria, receptivas. Por isso, desde que cheguei, já fiz diversas amizades que me acolheram super bem! Acho que também por ter trabalhado como bailarino em um cruzeiro famoso em Dubai, ajudou muito nesse sentido de me sentir acolhido.

Monica: Pensou em algum momento desistir?

Fred: Claro. Não foi fácil chegar aqui... há dois meses, se você falasse que estaríamos conversando sobre minha chegada à Califórnia, falaria que era mentira. Falo isso porque, apesar de ter passado nas nove faculdades com bolsa, eu não tinha bolsa integral e tampouco dinheiro para me manter aqui e arcar com as despesas da faculdade. Por isso, pensei em desistir. Ganhei os 70% de bolsa e fiz a matrícula, mas sabia que não vingaria. Eu não tinha dinheiro e isso me frustrou de uma forma arrasadora. Olhei para trás e pensei por um segundo “do que adiantou tanto sacrifício?”. Hoje, eu sei que nada paga o nosso conhecimento. Aprender nunca é demais. No entanto, eu sentia que tinha nadado e morrido na praia. Cogitei em deixar tudo para trás e aceitar o novo convite de voltar a dançar/trabalhar nesse cruzeiro. Estava com quase tudo finalizado quando eu tive o insight de divulgar a minha história. Eu sabia, dentro de mim, que precisava realizar meu sonho.


Monica: E o que você fez?

Fred: Eu não podia simplesmente “jogar fora” um ano de estudos e voltar a dançar por mais que amasse. Eu não queria estudar nas faculdades que passei aqui no Brasil por melhores que sejam (passou para UFPE e UFBA) nem queria voltar pra Dubai. Então, falei com a imprensa local sobre a minha história e ela ganhou vida. Dali pra frente, dei início a uma “vaquinha online” e cá estou, realizando o meu sonho e tenho a certeza que poderei inspirar outras pessoas.


Monica: Qual foi a sua maior lição de vida que aprendeu com a sua rotina para passar nas universidades norte-americanas?

Fred: Passei a ser mais organizado, planejado e estratégico, sem dúvidas. Hoje sou muito mais centrado, dedicado, além de ter um pensamento muito mais analítico e estratégico.

Monica: O que você pode dizer para as pessoas que querem realizar o sonho de morar fora?

Fred: Não desistam por mais que façam você pensar que seja impossível. Tenha foco, seja estratégico. Planeje o seu sonho, coloque num papel que sonho você quer realizar e trace maneiras de como você pode concretizá-lo. A estratégia faz a diferença. Afinal, é ela que vai fazer você atingir seu objetivo. É preciso muita dedicação. Não vai ser fácil, vai ser preciso abrir mão de coisas que significam muito para você, mas eu tenho certeza que vai valer a pena. Digo isso por ser a pessoa que ressignificou todas as dificuldades que passou e hoje está no berço do entretenimento vivendo seu maior sonho. Há ainda muito por vir. O mais importante: acredite em você e seja você!


Convidada VAM para a entrevista com Fred, Monica Palomares, Fotógrafa e Guia Califórnia.

Fotos: @guiacalifornia

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