Galateias: o feminino como matéria e linguagem na nova pesquisa de Fabiana Queiroga
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Artista expõe aquarelas e esculturas na mostra coletiva "6 Centelhas", na Casa Vento, em Brasília; obras articulam memória doméstica, afeto e hibridismo entre corpo e natureza.

Em um território em que a matéria parece ainda não ter decidido sua forma definitiva, surgem as Galateias: figuras que oscilam entre a imagem da menina-peixe, o fragmento onírico e a aparição sutil. A pesquisa visual mais recente da artista e designer Fabiana Queiroga investiga justamente esse intervalo poético, o instante em que o imaginário se infiltra nas brechas do cotidiano para deslocar a percepção do que nos é familiar.
As obras resultantes dessa investigação integram a exposição coletiva "6 Centelhas", em cartaz na Casa Vento, no Lago Sul, em Brasília, até 21 de setembro. Realizada pela Divino Galeria em parceria com o espaço cultural e com curadoria de Elsa Paranaguá Elvas, a mostra reúne também trabalhos de Cláudio Montanari, Gabriel Nehemy, M. Cavalcanti, Marcos Dutra e Marina Fontana.
A linha que articula o afeto
Nas pinturas em aquarela sobre papel apresentadas por Queiroga , como Meninas peixe vermelho (2026) e as composições da série Meninas peixe, Envoltos (2026), fitas e linhas vermelhas cortam a superfície branca. Longevidades da tradição do fazer manual, esses elementos não têm o papel de conter ou aprisionar; ao contrário, atuam como conectores de continuidade entre temporalidades, gestos e gerações de mulheres.
"As fitas vermelhas atravessam seus corpos como linhas de continuidade. Não amarram; articulam", escreve a artista no texto de apresentação da pesquisa. "Aproximam tempos distintos, aproximam mulheres, aproximam gestos. São fios que passam pela costura, pelo remendo, pela toalha estendida, pelo cabelo trançado, pelo tecido dobrado ao fim do day."
Nesse horizonte, o universo do fazer doméstico transborda a mera utilidade funcional para se afirmar como linguagem plástica. A artista busca resgatar uma inteligência contida nos gestos cotidianos do cuidar, organizar e preservar — um conhecimento ancestral e silencioso transmitido de mão em mão.



O feminino e a escultura tridimensional
Nas obras da série, o feminino não é elaborado como representação figurativa convencional, mas sim como uma condição intrínseca da própria matéria. O corpo humano dilui suas fronteiras rígidas ao fundir-se com a água, os tecidos, as estruturas minerais e as formas do reino animal.
Essa busca pela continuidade das formas expande-se da pintura aquarelada para o espaço tridimensional com a escultura Colar Híbrido (2025). Executada em metal e latão, a peça monumental de 1,85 metro suspenso traduz em linhas rígidas e douradas o mesmo ritmo botânico e orgânico que rege as superfícies de papel.

SERVIÇO
Exposição "6 Centelhas"
Artistas: Cláudio Montanari, Gabriel Nehemy, Fabiana Queiroga, M. Cavalcanti, Marcos Dutra e Marina Fontana
Curadoria: Elsa Paranaguá Elvas
Onde: Casa Vento — SHIS QI 07, Conjunto 2, Casa 4, Lago Sul, Brasília, DF
Quando: Até 21 de setembro de 2026; de segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 9h às 13h
Quanto: Entrada gratuita
Realização: Divino Galeria + Casa Vento




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