Juliana Linhares convida Zeca Baleiro e Josyara no show-filme Nordeste Ficção

Com direção de Johnny Massaro e Maria Trika, artista vai muito além da música para ressignificar a ideia de Nordeste. Grátis, no site do Teatro Unimed, Nordeste Ficção tem direção artística de Marcus Preto e figurino de Ronaldo Fraga.

Show-filme Nordeste Ficção, com Juliana Linhares, Zeca Baleiro e Josyara, pode ser visto gratuitamente no site do Teatro Unimed. (créditos: Pedro Pupo / Teatro Unimed)

Estar a nordeste, mas a nordeste de que? O que é o Nordeste brasileiro e suas representações? O Nordeste é uma invenção? Em quantos clichês e estereótipos foi construída uma imagem padrão que, muito frequentemente, não é reconhecida por muitos nordestinos? Reflexões como estas são inevitáveis ao se ver o espetáculo da artista potiguar Juliana Linhares, no palco do Teatro Unimed, em São Paulo. Dando cores, movimentos e contornos ao imaginado docudrama cinematográfico do seu álbum Nordeste Ficção, lançado este ano, a performance de Juliana, plena, livre, intensa, foi registrada em câmeras de cinema sob a direção de Johnny Massaro e Maria Trika, com realização da Dueto Produções, e pode ser vista em um show-filme que estreia na sexta-feira, 15 de outubro, às 21h, com acesso gratuito, no site do Teatro Unimed (www.teatrounimed.com.br).

O espetáculo, de uma beleza e alegria que enchem os olhos e a alma, celebra o ser nordestino, toda a sua intensidade e diversidade, ao mesmo tempo em que estimula a reflexão sobre os diversos significados que podem ter esta palavra, como um poderoso processo de desconstrução de clichês. “Se o Nordeste é uma invenção, como cantou Belchior, a arte segue sendo o meio para desconstruir narrativas e criar outros nordestes possíveis”, afirma Marcus Preto, diretor artístico do espetáculo. “Juliana tem uma maneira muito potente de expressar suas ideias. Entregue, aberta ao novo, cria ficções (e fricções) a partir de questionamentos de Nordeste. No filme, novas camadas de significados complementam sua performance explosiva”, explica o diretor Johnny Massaro. “Com uma força intuitiva imensa, incansável e certeira, Juliana é como uma ponte para novas maneiras de ver o Nordeste e quem mora lá, uma ponte que aproxima, provoca, transforma e encanta”, analisa Maria Trika, que divide a direção com Johnny.

Segundo Juliana Linhares, a intenção é de que “as pessoas ampliem o olhar para a região e para os seus habitantes e entendam que tudo é bem mais complexo do que se pensa na maioria das vezes. Existe uma ideia de Nordeste mítica que foi construída ao longo dos anos e que habita o imaginário dos brasileiros”. O espetáculo acrescenta ainda mais significado ao álbum Nordeste Ficção, de forma complementar, mais potente, uma força intuitiva que enfrenta as barreiras de um conceito único. Cenários, iluminação, maquiagem, enquadramento, edição, fotografia, repertório, tudo dá ainda mais relevo às questões apresentadas pelo álbum, assim como o figurino de Ronaldo Fraga, que recentemente desenvolveu uma coleção inspirada na cultura do sertão do Cariri. “As imagens têm muita força, criam ilusões, desconstroem ideias fixas. Queremos mostrar o nordestino universal, misturado e conectado ao mundo. Forte na delicadeza artística”, complementa Juliana.

O show-filme será apresentado em três partes, cada uma com sua própria identidade, com estreias sempre às sextas-feiras. O filme completo poderá ser visto no site do Teatro Unimed até o dia 7 de novembro, sempre com acesso gratuito. Criando ficções e brincando com elas na imagem e na música, o show-filme apresenta um repertório plural que, segundo Juliana, “vem com uma sonoridade rica, que bebe na raiz e se embriaga no contemporâneo. Cada faixa virou um universo sonoro e - queríamos isso - várias identidades juntas. Quero que o público seja envolvido pela música ao vivo e sinta vontade de estar de novo ali na plateia, perto, cantando junto. Quero que sinta o corpo quente, a vontade da dança, do coro. E com isso eu quero reforçar a importância do nosso fazer, da nossa cultura, da arte que vive tempos tão desafiadores”. Juliana se apresenta acompanhada por Wanessa Dourado (violino e rabeca), Elísio Freitas (guitarra) e Boka Reis (percussão). Na primeira parte, chamada de Ficção 1 :: eu quero é cantar pros meus OU conheço meu lugar, pérolas como Conheço o Meu Lugar (Belchior); Sou o Estopim (Antonio Barros/Cecéu), um clássico popular do Nordeste; Capim do Vale (Sivuca/ Paulinho Tapajós), o primeiro grande sucesso de Elba Ramalho; e belas produções mais recentes, como Menti pra Você (Karina Buhr).

Na segunda parte, chamada de Ficção 2 :: quem é você pra derramar meu mungunzá OU escapulida proibida pro imaginário, que estreia no dia 22 de outubro, Juliana apresenta algumas músicas muitos conhecidas do público, como o forró Tareco e Mariola (Petrúcio Amorim); Contrato de Separação (Dominguinhos/Anastácia), um clássico gravado por Nana Caymmi, Elba Ramalho e outros grandes nomes; Tesoura do Desejo (Alceu Valença), o maior sucesso do Alceu Valença nos anos 90, em que ele fazia dueto com Zizi Possi; e duas músicas com a participação mais do que especial de Zeca Baleiro, que pela primeira vez divide o palco com Juliana: Meu Amor Afinal de Contas (Zeca Baleiro/Juliana Linhares) e Bandeira (Zeca Baleiro). O espetáculo se completa com a terceira e última parte, Ficção 3 :: o frivião que não deixa se aquietar OU eu não posso mudar o mundo mas eu balanço OU a sombra que me move também me ilumina, que inclui uma música do repertório de Clemilda, É Mais Embaixo (Durval Vieira); um dos grandes sucessos do Zé Ramalho, Galope Rasante (Zé Ramalho); e uma pérola de Cátia de França, Coito das Araras (Cátia de França), com a participação, também mais do que especial, de Josyara.

Cantora e compositora nascida em Natal, Juliana Linhares também é a voz à frente da banda Pietá desde 2012, integrante do grupo Iara Ira, já trabalhou com João Falcão em A Ópera do Malandro e Gabriela, esteve ao lado de Angel Vianna no espetáculo O Tempo Não Dá Tempo, atua no musical A Hora da Estrela e em Contos Partidos de Amor e foi diretora assistente em Vamos Comprar um Poeta. Maria Trika é artista plástica, cineasta e crítica de cinema, fundadora da produtora The Boche Filmes, onde realiza trabalhos como diretora, roteirista, editora e diretora de arte. Foi assistente de direção de Johnny Massaro em filmes como A cozinha (2020) e Depois Quando (2019). Formado em cinema, Johnny Massaro é diretor e ator com diversos papéis em novelas, séries e minisséries na TV, onde estreou em 2005, e estará no elenco de Verdades Secretas 2 (Rede Globo). No cinema, estrelou O Filme da Minha Vida (2017), dirigido por Selton Mello, entre outros filmes. No teatro, já trabalhou com nomes como Monique Gardenberg, João Fonseca, Bibi Ferreira e Daniel Hertz. Em 2021, foi um dos dez atores de Dez por Dez, obra de Neil Labute apresentada no Teatro Unimed em Casa. Marcus Preto é jornalista, produtor musical e diretor de arte. Em 2015, recebeu o Troféu APCA de Melhor Produção e Direção Artística, na categoria Música Popular, por Estratosférica, álbum de canções inéditas da cantora Gal Costa, para quem produziu cinco espetáculos, três álbuns de estúdio e dois gravados ao vivo. Também produziu trabalhos de artistas como Erasmo Carlos, Silva, Nando Reis, Paulo Miklos, entre outros.

O show-filme Nordeste Ficção dá continuidade à programação 2021 do Teatro Unimed, como parte do projeto Teatro Unimed Em Casa, que estreou em 2020 com Luis Miranda, em Madame Sheila, e seguiu em 2021 com o espetáculo Dez por Dez, obra de Neil LaBute adaptada pelos Irmãos Leme e protagonizada por Angela Vieira, Bruno Mazzeo, Chandelly Braz, Denise Fraga, Eucir de Souza, Ícaro Silva, Johnny Massaro, Leopoldo Pacheco, Luisa Arraes e Pathy Dejesus; o filme-concerto Criolo Samba em 3 Tempos e, mais recentemente, o programa de entrevistas Hora de Naná, comandado por Naná Karabachian, que reuniu um time de estrelas formado por Ana Carolina, Reynaldo Gianecchini, Mart’nália, Seu Jorge, Elias Andreato e Claudia Raia. O Teatro Unimed Em Casa é uma iniciativa comprometida em levar a produção artística inédita e de qualidade até onde as pessoas estão, contribuindo para aumentar o acesso gratuito à cultura em tempos de isolamento social.

“É uma honra para a Central Nacional Unimed colaborar para levar um pouco da alegria e energia do Nordeste ao grande público. Acreditamos que a arte e o entretenimento funcionam como um apoio importante na conquista de uma saúde plena, repleta de bem-estar e de bons momentos. O Teatro Unimed novamente se posiciona como parceiro do cooperativismo médico e da sociedade, fomentando a importância e a necessidade da cultura para o povo brasileiro”, afirma Luiz Paulo Tostes Coimbra, presidente da Central Nacional Unimed.

“Uma das grandes forças do Brasil está em sua diversidade, na formação do seu povo, na multiculturalidade. Como agentes fomentadores da livre produção cultural, o palco do Teatro Unimed tem a honra de receber – e compartilhar com o mundo - este lindo espetáculo, que encanta, emociona, diverte e faz pensar”, declara Fernando Tchalian, CEO da desenvolvedora Reud, controladora do Teatro Unimed. Como tem feito durante todo o período de pandemia, o Teatro Unimed chama a atenção para iniciativas de apoio a profissionais das artes, fortemente afetados pela momento em que diminuiu a produção de espetáculos. Com o show-filme Nordeste Ficção, o público será convidado a apoiar o GAMI – Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes do RN (@gamimulheres), projeto que promove a formação, a profissionalização e a cidadania para meninas, jovens e adolescentes no Rio Grande do Norte, com ações educativas em artes e esportes. Iniciativas anteriores foram dedicadas ao Backstage Invisível, Fundo Marlene Colé e à APTR - Associação dos Produtores de Teatro.

Todos os profissionais envolvidos com as filmagens de Nordeste Ficção tiveram contínuos registros de condições de saúde, sendo submetidos a testes periódicos pela rede de medicina diagnóstica Alta Excelência Diagnóstica, referência em tecnologia, inovação e qualidade médica, com foco no atendimento humanizado (www.altadiagnosticos.com.br). Além disso, como tem sido prática cotidiana do Teatro Unimed e do Edifício Santos-Augusta, realizou-se todo o protocolo de praxe de ações anti-Covid, com higienização contínua de equipamentos, acessórios, pisos e ambientes, uso de máscara obrigatório generalizado, higienização periódica das mãos, amplo distanciamento social e desinfecção diária dos locais.

Nordeste Ficção – ficha técnica

Voz: Juliana Linhares

Guitarra: Elísio Freitas

Percussão: Boka Reis

Violino e Rabeca: Wanessa Dourado

Participações Especiais: Zeca Baleiro e Josyara

Direção: Johnny Massaro e Maria Trika

Direção Artística: Johnny Massaro, Marcus Preto e Maria Trika

Roteiro Musical: Juliana Linhares e Marcus Preto

Produzido por: Clarice Philigret

Direção Musical: Elísio Freitas

Direção de Fotografia: Elisa Mendes

Direção de Arte: Camila Schmidt

Identidade Visual: Ara Teles e Tommy Kenny

Supervisão de Montagem: Marina Kosa

Montagem: Eduardo Pires Vasconcelos

Luz: Elisa Mendes e Sarah Salgado

Operadores de Câmera: Flávio Chacal Geromel, Fernando Augusto e Leonardo Maestrelli

Câmera VHS: Raquel Muguet

Logger: Rodrigo Belati

Gaffer: Sergio Bronzo

Figurino: Carolina Domingos

Assistente de Figurino: Gael de Freitas

Maquiagem: Tainá Talzi

Assistente de Maquiagem: Kathê Portillo

Cabelo: Cora Marinho

Cenotécnicos: Cássio Omae, Jonatas Alves e Marcelo Henrique

Produção: Adriel Parreira

Produção Juliana Linhares e Banda: Uhuuu! Music

Produção Executiva Uhhuuu! Music: João Severo e Mira Barros

Gerente Técnico: Reynold Itiki

Comunicação: Dayan Machado

Assessoria de Imprensa: Fernando Sant’ Ana

Still: Pedro Pupo

Assessoria Jurídica: Carolina Simão

Técnico de Gravação: Bruno Schulz

Mixagem: Bruno Carvalho

Pós-produção: Quanta Post

Realização: Dueto Produções