A arte de Reencontrar-se: Ciência e Emoção no caminho para a Autoestima
- VAM Magazine

- há 3 dias
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Em entrevista exclusiva para a VAM Magazine, os cirurgiões plásticos Dr. Alessandro Martins e Dr. Gabriel Basílio revelam os bastidores da nova temporada de "Alta Estima" e discutem o equilíbrio entre técnica, naturalidade e saúde emocional.

O espelho, muitas vezes, é o palco de uma conversa silenciosa e profunda entre quem somos e quem desejamos projetar para o mundo. Em uma era onde a longevidade é a nova fronteira da medicina, a busca pela imagem ideal deixou de ser uma questão de vaidade superficial para se tornar uma jornada de autoconhecimento, saúde e resgate de identidade. Hoje, o conceito de "envelhecer bem" transcende a ausência de rugas; trata-se de um alinhamento entre a vitalidade interna e a aparência externa, um movimento que o mercado convencionou chamar de positive aging.
Nesse cenário de constantes transformações, a cirurgia plástica e os procedimentos minimamente invasivos ganham novos contornos, exigindo do profissional não apenas precisão técnica com o bisturi, mas uma sensibilidade quase antropológica. Afinal, cada traço facial carrega uma história, e cada mudança estética reverbera diretamente na alma. É preciso entender que a beleza contemporânea não aceita mais fórmulas prontas ou resultados "congelados". O luxo, agora, é a naturalidade.
À frente desta filosofia, os doutores Alessandro Martins e Gabriel Basílio, que retornam às telas com a aguardada nova temporada do programa Alta Estima, consolidam-se como vozes fundamentais no debate sobre a estética humanizada. Juntos, eles desmistificam o centro cirúrgico para mostrar que o bisturi pode ser, sim, uma ferramenta de cura para traumas profundos, desde que acompanhado por um olhar atento ao bem-estar emocional.
Nesta entrevista exclusiva à VAM Magazine, os especialistas mergulham nos bastidores da medicina moderna, discutem o impacto do machismo estrutural no autocuidado masculino, os desafios da reconstrução mamária e a importância vital de tratar as expectativas do paciente antes mesmo de tocar o corpo. Prepare-se para uma conversa que prova que a verdadeira transformação começa de dentro para fora.
Entrevista

Dr. Alessandro Martins: "A cirurgia plástica pode ser um processo de libertação"
Alessandro, como você percebe a relação entre a busca por procedimentos estéticos em idades maduras e a autoestima de seus pacientes? Dr. Alessandro Martins: A busca por retardar o envelhecimento, principalmente facial, tem nos procedimentos estéticos um grande aliado. Os sinais podem ser atenuados de forma natural, mas é preciso honestidade: tratamentos preventivos (como toxina botulínica e bioestimuladores) funcionam muito bem para as gerações mais recentes. Quando o envelhecimento já está instalado, tentar resolver apenas com preenchedores pode levar a exageros e perda da identidade. Para esses casos, o face lifting, que reposiciona os tecidos, é o mais indicado. Com certeza, uma aparência jovial traz autoestima; observamos uma cobrança crescente pela manutenção de uma aparência jovem.
Houve mudança no comportamento das mulheres maduras em relação ao autocuidado nos últimos anos? Dr. Alessandro: Sim, o crescimento é progressivo. Hoje, a toxina botulínica transformou-se em algo quase "obrigatório" e os bioestimuladores já são assunto inclusive em rodas de conversa informais. A grande mudança está na necessidade de uma indicação precisa. O diferencial entre um resultado agradável e o exagero está em não usar uma "receita de bolo" para todos.
Existe diferença entre como homens e mulheres encaram o envelhecimento? Dr. Alessandro: Infelizmente, o machismo estrutural ainda dita as regras. O envelhecimento masculino ainda é interpretado como um charme da idade, enquanto as mulheres são cobradas a nunca envelhecerem. Por outro lado, a aceitação de cirurgias nelas é maior. O homem sente mais medo de que o procedimento seja perceptível, refletindo uma insegurança social, enquanto as mulheres encaram com mais naturalidade e orgulho.
Como equilibrar expectativa estética e bem-estar emocional em cirurgias de impacto, como a mamoplastia redutora? Dr. Alessandro: Expectativa é o maior desafio. Cada corpo reage de uma forma e não se pode comparar resultados com celebridades. No caso da mamoplastia redutora, há benefícios funcionais claros, como melhora da postura e qualidade de vida. Nesses casos, esses ganhos facilitam o alinhamento das expectativas.
Sobre a reconstrução pós-mastectomia, como a estética contribui para a reconstrução da identidade? Dr. Alessandro: Ela faz toda a diferença no processo de cura. Quando se fala em câncer de mama, muitas pacientes pensam em como será viver sem a mama. A reconstrução devolve não apenas a autoestima, mas um símbolo importante da feminilidade. Ela devolve a confiança e a qualidade de vida, eliminando a sensação de mutilação física e social.

Dr. Gabriel Basílio: "Parecer operado é feio; a tendência é a naturalidade"
VAM: Gabriel, pacientes maduros buscam parecer mais jovens ou sentir-se mais confiantes? Dr. Gabriel Basílio: As duas coisas existem em graus diferentes. Os desejos dependem dos gatilhos emocionais de cada um. O ideal é adequar sonhos às possibilidades reais através de uma consulta bem conduzida. Há total subjetividade nos desejos, mas não nas técnicas.
VAM: Você nota diferenças comportamentais entre gêneros na hora de decidir pela cirurgia? Dr. Gabriel: Homens são mais pragmáticos: decidem e fazem, mas reclamam mais do pós-operatório — do desconforto e do tempo de recuperação. As mulheres pesquisam mais, são influenciadas por opiniões diversas, demoram a optar, mas são "duronas" na recuperação. Elas enfrentam o processo sabendo que o resultado vale o desconforto temporário.
VAM: Como você orienta um paciente que deseja um resultado natural? Dr. Gabriel: Em estética, é mais seguro ser cauteloso. Mudar menos é o caminho, pois às vezes o caminho de volta é impossível. É mais fácil progredir aos poucos, em um avanço gradual, do que tentar desfazer algo. Ganhos moderados são mais seguros e satisfatórios.
VAM: Em Alta Estima, como você vê a importância da abordagem emocional? Dr. Gabriel: Essencial. Às vezes, mais importante que a cirurgia em si. A cirurgia não vai curar traumas psicológicos. É preciso estar bem consigo mesmo para conseguir enxergar o resultado de uma cirurgia; sem preparo emocional, o paciente não percebe a mudança.
VAM: O que você diria para homens que ainda hesitam por causa de estigmas sociais? Dr. Gabriel: Estão perdendo tempo. A vida é curta e ser feliz é uma busca diária. Pena de quem não tem maturidade e liberdade para a
ssumir isso. Já estamos em 2026!
VAM: Quais as principais tendências para o rejuvenescimento facial nos próximos anos? Dr. Gabriel: A naturalidade já se consolidou. Parecer operado é feio. É fundamental respeitar a própria beleza e identidade, valorizando o biotipo. Isso, sem dúvida, passa por uma boa base de autoestima.
A Mensagem do "Alta Estima" Para os especialistas, o programa revela que temas como insegurança, etarismo e abusos doem profundamente na alma. O grande aprendizado para o público é entender a cirurgia plástica como uma especialidade médica séria que, se bem indicada, pode ser o ponto de virada para a liberdade e a segurança de quem decide transformar sua história.
Fotos: Vinícius Mochizuki
Entrevista: Antonnio Italiano
Direção de Estúdio: Rodrigo Rodrigues
Edição de Moda: Alê Duprat
Produção de Moda: Ladú Nunnes
Assessoria de Imprensa: Equipe D















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