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Renata de Paula: a empresária e escritora que transformou a própria travessia em voz e presença

  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

Entre palavras, negócios e conversas que curam, ela construiu um ecossistema onde experiência pessoal, ciência e escuta se tornam ferramentas de transformação coletiva.

Há histórias que nascem no silêncio, e há aquelas que encontram na palavra um caminho inevitável. A trajetória de Renata de Paula pertence à segunda categoria. Escritora por essência, empresária por coragem e apresentadora por propósito, ela construiu uma presença que transcende o palco e se instala no território mais íntimo de quem a escuta.


Esse impulso encontrou sua forma mais concreta no lançamento de seu primeiro livro, “O Caminho Começa na Volta", uma obra que traduz em linguagem sensível e direta o processo de retornar a si mesma após atravessar rupturas profundas. Mais do que uma narrativa autobiográfica, o livro se apresenta como um convite à reconexão, um testemunho sobre escuta interior, reconstrução e pertencimento. Ao escrever, Renata não apenas organiza sua própria travessia, mas legitima a experiência de tantas outras mulheres que, ao se reconhecerem em suas palavras, encontram também a possibilidade de recomeço.


Em um tempo em que falar sobre o corpo feminino ainda é, muitas vezes, um ato de resistência, Renata fez da própria experiência um ponto de partida para algo maior. Não como manifesto, mas como ponte. Sua voz não surge do distanciamento, mas da vivência. Não busca protagonismo, mas conexão.


Foi assim que nasceu o Vênus Talks, plataforma onde atua como empresária e apresentadora, conduzindo conversas que atravessam ciência, saúde, identidade e longevidade. No palco, ela não apenas entrevistaa, ela acolhe. Não apenas apresenta , ela traduz. E, sobretudo, escreve. Escreve sua história, escreve novas narrativas possíveis e ajuda outras mulheres a escreverem as suas.

Confira a entrevista exclusiva em que a empresária conversou com a VAM Magazine sobre escrita, propósito e a construção de um ecossistema que une voz, negócio e transformação feminina.


Entrevista

A palavra sempre foi parte da sua construção. Em que momento você percebeu que escrever também era uma forma de existir no mundo? Eu escrevi um livro que, na verdade, eu não escrevi da forma tradicional. A construção do livro O Caminho Começa na Volta foi feita a partir de áudios que eu gravei para mim mesma durante a caminhada de Santiago de Compostela. Quando cheguei em Santiago, tive a certeza de que não faria apenas um post no Instagram com um textão. Eu ia escrever um livro. Ele é, basicamente, a transcrição desses áudios para o papel, exatamente com a emoção que eu sentia durante a caminhada.


Você construiu um negócio a partir de uma experiência profundamente pessoal. Como foi transformar a dor em estrutura? Na verdade, eu transformei o caminho que fiz em conversas com pessoas que eu gostaria que tivessem chegado ao diagnóstico antes de mim. Depois da minha cirurgia, levei seis, sete anos para entender que tudo aquilo que vivi era menopausa. Eu não sabia. Não é que eu saí da cirurgia e pensei: estou na menopausa, vou cuidar disso. Não foi assim. Eu saí de uma cirurgia de urgência, onde meus ovários foram aspirados, e isso não me foi explicado. Eu só sentia gratidão por estar viva, porque a taxa de mortalidade por gravidez tubária é altíssima. Então, eu agradecia por estar viva, mas não entendia as transformações que estavam acontecendo no meu corpo. Esse entendimento só veio muitos anos depois. E foi aí que eu percebi que as mulheres não precisam passar por isso sem informação. Eu não mudo a realidade, mas quando você tem informação, você muda a forma como vive essa realidade.


Como você enxerga seu papel quando está no palco ou diante de uma entrevista? Eu sei que tenho a responsabilidade de compartilhar o que é verdade. Eu não glamorizo a minha história. Existe muita gente que romantiza processos que são difíceis, e eu procuro ser fiel ao que vivi. Dizer que eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas também dizer que existe esperança. É falar a verdade, sem romantizar.

Você também atua em iniciativas culturais e institucionais. O que significa participar desses espaços e contribuir para o fortalecimento de novas narrativas? Eu atuo em várias áreas e descobri que sou uma mulher com muitos interesses. Sou colecionadora de arte e coleciono trabalhos de artistas mulheres. Tenho uma paixão profunda pela figura feminina e por tudo o que representa a experiência das mulheres. Sou a primeira doadora de uma obra de uma artista trans para museus como o MON e a Pinacoteca. O museu permanece. Nós passamos, mas o museu fica. Então, poder deixar nesses espaços obras de artistas mulheres, que falam sobre a vida da mulher, é uma forma de contribuir para que essas narrativas existam e permaneçam. Eu faço isso com muito carinho e com muita consciência do papel que isso representa.

Quando você olha para sua trajetória hoje como escritora, empresária e apresentadora, o que sente que construiu? Eu não valorizo isso como uma trajetória estruturada. Eu escrevi meu primeiro livro, sou empresária desde sempre, e me tornei apresentadora como consequência da necessidade de falar. Eu não tenho compromisso com o acerto absoluto. Eu acredito que só erra quem faz. Quem está parado não erra. Eu não tenho medo do erro, porque sei que posso aprender com ele. Se eu puder impactar positivamente a vida de uma mulher, especialmente aquela que não tem acesso à informação, eu vou falar. Eu também me vejo como uma colecionadora de mulheres — de suas histórias, de suas vozes e de sua arte. Sou mãe, sou avó, sou filha. Esses são os meus papéis. E é isso que eu sigo fazendo. Se existir um legado, que seja esse.


Entre páginas, palcos e conversas, Renata de Paula não construiu apenas uma carreira, construiu um espaço. Um território onde a palavra deixa de ser apenas expressão e se torna presença. Onde a experiência individual se transforma em linguagem coletiva. E onde escrever, no fim, é também uma forma de existir, e de permitir que outras existam com mais consciência, voz e pertencimento.


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