Auricélio Romão, o chef que colocou Noronha na rota da alta gastronomia brasileira
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Com uma cozinha autoral marcada por frescor, identidade e respeito aos ingredientes, ele transforma a essência da ilha em experiências que conquistam paladares de todo o país.

Em um dos cenários mais desejados do Brasil, onde o azul do mar parece permanente e o tempo ganha outro ritmo, existe uma rotina que poucos enxergam. Longe do glamour que muitos associam à ilha, o chef Auricélio Romão construiu sua trajetória entre riscos altos, saudade da família e a obstinação de fazer dar certo.
Abrir o próprio restaurante em Fernando de Noronha não foi apenas uma conquista profissional, foi uma decisão que exigiu coragem emocional. Entre incertezas e superações, ele aprendeu que empreender também é sustentar sonhos nos dias silenciosos, quando o esforço não aparece nas fotos. Confira a entrevista exclusiva em que o chef conversou com a VAM Magazine sobre desafios, reconhecimento e a essência da sua cozinha:
Sobre abrir o próprio restaurante em Noronha

Abrir um restaurante em um lugar tão singular não deve ter sido simples. Qual foi o maior desafio emocional dessa jornada? Estar longe da família, assumir riscos altos e seguir em frente mesmo quando ninguém vê o esforço por trás. Teve momentos de dúvida, mas também de muita resiliência. Empreender aqui exige coragem diária. Nem sempre é fácil, mas é muito verdadeiro.
Sobre memória e identidade na cozinha

Existe algum prato que represente sua história pessoal ou um momento marcante da sua vida?Sim. Os pratos com peixe sempre me emocionam. Eles carregam memória, simplicidade e respeito ao ingrediente, algo que aprendi desde cedo e que Noronha reforçou em mim. O peixe me conecta com minhas origens e com a essência da ilha. É sobre tratar bem poucos ingredientes e deixar que eles falem por si.
Sobre reconhecimento e visibilidade

Você prefere o reconhecimento silencioso ou gosta de ver seu trabalho ganhando visibilidade nacional? O reconhecimento silencioso sempre foi suficiente. Saber que as pessoas saem tocadas pela experiência já me realiza. Mas a visibilidade nacional ajuda a valorizar a equipe, a ilha e a gastronomia local. Quando o restaurante cresce, todo mundo cresce junto.
Sobre a rotina real na ilha

Como é um dia comum na sua rotina em Noronha, longe do glamour que muitos associam ao destino? É trabalho, planejamento, mercado, cozinha, resolver problemas e cuidar de gente. Noronha é linda, mas viver aqui exige disciplina, adaptação e muito respeito ao lugar. Nada é simples logisticamente. É preciso organização, paciência e compromisso diário.
Sobre o sabor de Noronha

Se Fernando de Noronha fosse um prato, quais sabores não poderiam faltar? Mar, frescor, simplicidade, intensidade e verdade. Poucos ingredientes, bem tratados, exatamente como a ilha pede. Noronha não combina com excessos. Combina com autenticidade.
Entre o sal do mar e o calor da cozinha, ele segue escrevendo sua história com constância e propósito. Em um tempo em que a gastronomia muitas vezes busca espetáculo, sua escolha é pela essência.
Porque, em Noronha, cozinhar não é apenas servir — é respeitar, sentir e permanecer.

Fotos: @marcospbduarte
Edição de moda: @dudufarias
Beleza: @sandrobarreto