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Fernanda Rigon: A visão estratégica por trás da Philipp Plein no Brasil

De modelo internacional a CEO, a gaúcha compartilha como sua trajetória global e resiliência pessoal moldaram a expansão de uma das marcas mais disruptivas do luxo mundial em solo brasileiro.

O mercado de luxo no Brasil exige muito mais do que apenas coleções exclusivas e vitrines impecáveis. Ele demanda uma compreensão profunda de cultura, uma navegação técnica por tributações complexas e, acima de tudo, uma habilidade ímpar de relacionamento. Ninguém entende melhor essa engrenagem do que Fernanda Rigon.


Com um histórico que une a vivência nas passarelas da Europa e da Ásia a uma formação sólida no IED de Milão, Fernanda não apenas trouxe a marca Philipp Plein para o país, como também imprimiu nela uma gestão humanizada, dinâmica e totalmente focada em experiências sob medida para um público exigente.


Nesta entrevista exclusiva para a VAM Magazine, ela abre o jogo sobre os reais desafios de empreender em solo brasileiro e recorda sua transição definitiva das câmeras para os bastidores estratégicos do negócio. Fernanda compartilha detalhes de sua recente batalha pela saúde, um episódio que trouxe novas perspectivas sobre equilíbrio e prioridades, e revela como o legado visionário de sua mãe continua a ser a bússola que guia seus passos na liderança de um império em constante movimento.


Prepare-se para conhecer a mulher que acredita que o sucesso não cai do céu, mas é construído com inteligência emocional, foco inabalável e a coragem de enxergar sempre além do horizonte.


Entrevista

Fernanda, vamos começar a entrevista falando sobre o seu percurso começou no Rio Grande do Sul e passou pela moda internacional antes dos negócios. O que aquela fase como modelo lhe ensinou que você ainda aplica hoje na liderança da Philipp Plein Brasil?Oi, Antônio, vamos lá! Vou responder às tuas perguntas aqui. Primeiramente, gostaria de agradecer por ter lembrado de mim e por poder dividir um pouquinho da minha história com vocês, que são uma revista conceituada por onde grandes nomes já passaram. Para mim, é uma honra fazer parte desse time e ter meu nome nas páginas de vocês.


Sou gaúcha e trabalhei como modelo a partir dos 15 anos. Fiz minha primeira campanha, que foi uma campanha de cabelo, no Rio Grande do Sul e, aos 18, me mudei para São Paulo. Venho de uma família de empreendedores. Meu pai é italiano e também empreendedor, então havia uma cultura muito forte em casa, embora ele não concordasse muito com a minha partida.


Cursei apenas seis meses de Relações Públicas no Sul, após concluir meu ensino médio nos Estados Unidos. Depois fui para São Paulo, onde fiquei dois anos trabalhando como modelo, e em seguida me mudei para a Europa.

Sempre tive esse olhar além da bolha. Minha mãe dizia muito isso. Como modelo, eu queria entender tudo: produção, maquiagem, organização de desfiles, quem fazia o quê. Sempre fui muito comunicativa, curiosa e fiz amizades pelo mundo inteiro. Essa visão ampla é algo que cresceu comigo.


Hoje, à frente da Philipp Plein no Brasil, levo exatamente isso: uma visão global de marca, entendendo cada detalhe do processo. Isso me permite exercer meu trabalho com mais consciência e estratégia.

Você estudou Moda e Design no IED de Milão e acumulou experiência em grandes capitais da moda. De que forma essa formação influenciou sua visão de gestão e estratégia de marca? Estudei em Milão, no IED, e depois, quando voltei ao Brasil, também fiz produção de moda. Sempre quis permanecer nesse meio. Trabalhei com modelagem na Ásia e na Europa.


Faço parte da Philipp Plein desde o início. Abri a primeira loja com o Philipp em 2008, em Monte Carlo. Isso me deu uma visão global de diferentes mercados: Ásia, Rússia, Europa, América Latina, Estados Unidos e agora o Brasil sob o meu comando.


A marca é global e precisa manter seu DNA. Conseguimos adaptar algumas peças para cada público, mas a identidade visual forte é o que garante o nosso sucesso.


Houve um ponto de virada em que você percebeu que queria atuar mais nos bastidores e na construção da marca? Essa virada sempre esteve ali. Mesmo quando eu modelava, queria entender como tudo funcionava. Quando conheci o Philipp, parei de modelar para outras marcas e passei a estar à frente da Plein com ele em tudo: ajudava a desenhar, criar o logo, organizar desfiles e eventos.


Em 2014, após o nascimento do Romeo, mudei-me para o Brasil. Depois de alguns anos, decidi trazer a marca para o país. Ter aberto tantas lojas pelo mundo foi uma grande escola para mim.


Em dezembro de 2023, abrimos a primeira loja no Brasil, no Rio de Janeiro. Hoje temos também São Paulo e, se Deus quiser, abriremos mais duas este ano.

Ao decidir trazer a Philipp Plein para o Brasil, quais foram os principais desafios? Empreender no Brasil é sempre um risco. A burocracia, a tributação e a importação são grandes desafios. É difícil explicar para um head office internacional como tudo é tão complexo aqui.


Além disso, conquistar o público exige proximidade. Gosto muito de exclusividade. O cliente de luxo quer uma experiência completa, não apenas comprar uma peça. Tento fazer tudo de forma metódica, pessoal e exclusiva.


Como você equilibra uma visão global com a cultura brasileira? O DNA da marca precisa ser consistente, mas o brasileiro é muito eclético. Seleciono peças que sei que vão funcionar aqui, sempre pensando no perfil do cliente e mantendo a essência da marca.


Quais hábitos de gestão você considera essenciais? Estar presente. Não acredito em hierarquia rígida. Sou acessível, trabalho junto, motivo a equipe. Pessoas felizes produzem mais. Sozinha, ninguém chega a lugar algum.

Como você concilia maternidade e carreira? Tenho dois filhos, Maria Eduarda e Romeo. Sou muito família e tenho uma rede de apoio incrível. Acredito que mães felizes criam filhos felizes.


Você enfrentou algum desafio que mudou sua forma de ver a vida? Em 2025, tive câncer de tireoide. Descobri por acaso. Foi um choque enorme. Hoje estou curada, graças a Deus, mas precisei rever prioridades. Entendi que não dá para abraçar o mundo sozinha.


Houve algum momento decisivo para consolidar a marca no Brasil? Para mim, o primeiro Fashion Week após a abertura da loja no Brasil foi fundamental. Abrimos em dezembro de 2023, então o Fashion Week seguinte foi inesquecível por ser a primeira vez que levei famosos e clientes brasileiros.

E qual o onselho você daria para mulheres que querem liderar? Nunca desistam dos seus ideais. Trabalhem com amor, foco e ética. O mundo é pequeno. Dormir com a consciência tranquila é fundamental.


Que legado você gostaria de deixar? Minha maior inspiração sempre foi minha mãe. Quero deixar um legado mostrando que é possível inspirar pessoas a irem atrás dos seus sonhos e trabalharem com amor. Para mim, a vida é movimento.

Créditos: Fotos evento Plein, Ana Muradas Editorial - Styling, Adriana Costa

Beleza e fotos - Ygor Marques

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