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Aos 97 anos, Nathália Timberg protagoniza Fôlego, texto inédito escrito especialmente para a atriz

há 1 dia
3 min de leitura

Com Carla Marins e Rita Elmôr no elenco, texto e produção de Andréa Bassitt e direção de Ricardo Grasson, estreia em 23 de outubro, no Sesc Santo Amaro. O espetáculo parte da história de uma atriz que mora em um teatro e enfrenta problemas financeiros e a ameaça de venda do espaço que construiu ao longo da vida. A montagem propõe uma reflexão sobre envelhecimento, continuidade e os desafios de manter espaços teatrais em atividade.

Foto Fernando Ocazione
Foto Fernando Ocazione

Aos 97 anos e em plena atividade profissional, Nathália Timberg protagoniza Fôlego, espetáculo inédito escrito por Andréa Bassitt especialmente para a atriz. Com direção de Ricardo Grasson, a montagem estreia no dia 23 de outubro, no Sesc Santo Amaro, onde permanece em cartaz até 13 de dezembro. Carla Marins e Rita Elmôr completam o elenco.


Na peça, Nathália interpreta Rosa, atriz que fundou um teatro ao lado da irmã e do cunhado, ambos já falecidos. Durante décadas, os três mantiveram o espaço, que se tornou uma referência cultural de sua geração. Com o passar dos anos, porém, Rosa se vê sozinha diante das dificuldades financeiras e da falta de recursos para manter o teatro aberto.


Embora tenha sido escrita especialmente para Nathália Timberg e dialogue com sua trajetória, Fôlego não é uma obra biográfica. Andréa Bassitt partiu de uma pesquisa sobre a vida da atriz para construir uma narrativa ficcional que tem como ponto de partida sua relação com o teatro.


“Deixei que a imaginação ficasse livre para falar de uma mulher cuja casa é o teatro, essa foi a essência do texto. A partir desse ponto, deixei que a imaginação fluísse, mas sem perder a conexão com a vida dela, toda dedicada ao teatro que, num sentido metafórico, se tornou sua casa”, explica a autora.

Para Nathália:


“É uma vida inteira respirando teatro. Foi assim que aprendi a estar no mundo e a me comunicar com os que estavam à minha volta. Depois desse tempo longe dos palcos, é como se eu tivesse estado privada de ar e agora, finalmente, pudesse voltar a respirar.”

Ao longo da dramaturgia, referências à trajetória da atriz e à história do teatro brasileiro atravessam a ficção. Entre elas está Antígona, de Jean Anouilh, protagonizada por Nathália em 1964, montagem em que, durante uma apresentação, a plateia se manifestou dizendo “não” a Creonte junto com a personagem.


Ricardo Grasson trabalha com Nathália há quase 20 anos e vê na aproximação entre atriz e personagem uma das principais camadas da montagem:


“A Rosa mistura muito da história de vida da Nathália e da história do teatro brasileiro. É uma atriz de 97 anos que passou a vida inteira no teatro, vivendo com o teatro e vivendo do teatro. É um pouco o que a Nathália faz hoje: ela não deixa o teatro sair dela”, afirma o diretor.

É nesse momento que Juliana (Carla Marins), sua sobrinha, apresenta uma proposta para vender o imóvel a uma igreja. Rosa encontra apoio em Laura (Rita Elmôr), sua afilhada e filha de uma antiga camareira do teatro.


A ameaça de venda do espaço amplia o conflito para uma discussão sobre a sobrevivência do próprio teatro. Para Andréa Bassitt, a situação de Rosa também dialoga com um momento em que salas fecham e outras formas de consumo cultural passam a disputar espaço com as artes presenciais.


Para a encenação, Grasson parte do realismo da dramaturgia e da própria história que está sendo contada:


“O espetáculo fala do passado porque é importante termos consciência dos que vieram antes e do que foi feito antes, para entendermos aquilo que estamos fazendo e o que queremos para o futuro. Pretendo trabalhar de maneira muito realista, porque o texto nos coloca diante daquilo que estamos vivendo. Vamos lidar com o imagético e o lúdico, mas com o pé no chão”, explica.

Para Andréa Bassitt, a situação vivida por Rosa ultrapassa a defesa daquele espaço:


“A arte, por meio do teatro, se comunica diretamente com a plateia, com a sociedade, que é um reflexo das histórias contadas em cena”, afirma.

A autora enfatiza que o conflito também passa pela condição da protagonista:


“Rosa é uma senhora de 97 anos, que trabalhou a vida toda, fez uma carreira digna, não tem filhos e vê sua vida sendo ameaçada por um sistema que devora os mais frágeis. A luta de Rosa é a luta de todos nós.”

Para Grasson, a presença de Nathália em cena também sintetiza uma das questões centrais de Fôlego: a continuidade.

“Ela tem consciência de tudo o que fez e vontade de continuar fazendo até o último dia. É isso que a Nathália pensa hoje: continuar trabalhando, continuar fazendo teatro. A gente vai passar, mas o teatro continua.”

Siga a peça no Instagram: @folego_teatro


SERVIÇO

  • Espetáculo: Fôlego

  • Local: Sesc Santo Amaro

  • Temporada: De 23 de outubro a 13 de dezembro

  • Duração: 80 minutos

  • Classificação: 12 anos

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