GRUPO TOKYO VAI REABRIR O CINE ROSÁRIO, NO EDIFÍCIO MARTINELLI
Fechado desde 1955, o cinema volta com curadoria própria, projeção em película 35mm e digital e uma programação pensada para a nova geração de cinéfilos.

São Paulo, outubro de 2026. O Grupo Tokyo vai reabrir o Cine Rosário, cinema inaugurado em 1929 no Edifício Martinelli e fechado há mais de 70 anos. O investimento previsto é de cerca de R$ 25 milhões. A reabertura está prevista para 2028, após cerca de 18 meses de obras contados a partir da aprovação do projeto pelos órgãos de preservação do patrimônio.
A nova sala vai ocupar o mesmo espaço do cinema original, no térreo e no subsolo do prédio, com acesso pela Avenida São João. A capacidade será menor que a original, para atender às exigências atuais de acessibilidade, conforto e segurança. Além de sessões de cinema, o espaço receberá peças de teatro e outras apresentações.
Um cinema para a nova cinefilia
Nos últimos anos, cresceu em São Paulo e no mundo um público que volta a tratar o cinema como programa e encontro. Esse público procura sessões de clássicos, cópias em película, debates e uma experiência que não se repete em casa. O objetivo do Grupo Tokyo é atender essa comunidade.
Por isso, o Rosário não terá vínculo com redes exibidoras. A programação será definida por curadoria própria e vai combinar lançamentos, ciclos temáticos, retrospectivas, sessões especiais e encontros com diretores, artistas e convidados. A sala terá projeção digital e em película 35mm.
A ideia é que a experiência vá além da tela: chegar antes, ficar depois, conversar sobre o filme. É uma experiência offline, de convivência, que só acontece quando as pessoas estão no mesmo lugar.
Referências pelo mundo
Para desenvolver o projeto, a equipe do Grupo Tokyo visitou nos últimos anos cinemas em diferentes cidades do mundo. Entre as referências estão o Vidiots, em Los Angeles, o Electric Cinema, em Londres, e o Metrograph, em Nova York. São cinemas de rua que se tornaram pontos de encontro em suas cidades a partir da programação, da projeção em película e da relação com o público.
"O Brasil é o terceiro país com mais usuários no Letterboxd. Temos uma das maiores comunidades de cinéfilos do mundo, mas ainda são poucos os lugares para ela se encontrar. O Rosário nasce para ser esse ponto de encontro, com boa programação, atividades e a experiência de ver um filme em película, numa sala com história", diz Fábio Floriano, CEO e sócio-fundador do Grupo Tokyo.
Prospecção de patrimônio
O espaço passa por estudos de prospecção para identificar o que resta da sala original. Nas primeiras intervenções, a remoção de forros de gesso revelou vestígios de pinturas e elementos decorativos no teto. A extensão da recuperação desses elementos será definida a partir dos estudos técnicos e das diretrizes dos órgãos de patrimônio.
Parte de um projeto maior
O Cine Rosário integra o projeto do Grupo Tokyo para as áreas do Edifício Martinelli, que prevê a ocupação cultural do prédio com galerias, mirantes, restaurante, café e espaços para eventos.
O cinema também faz parte do Epicentro, projeto do Grupo Tokyo de ativação e recuperação de uma série de edifícios históricos do centro de São Paulo. A proposta é criar um percurso cultural que funcione de dia e de noite, trazendo movimento, convivência e novos usos para a região.
Um pouco de história
O Cine Rosário foi inaugurado em 2 de setembro de 1929 com o filme O Pagão, estrelado por Ramón Novarro, acompanhado por orquestra. Com cerca de mil lugares, foi considerado na época um dos cinemas mais luxuosos da cidade. Fez parte da geração de salas que formou a Cinelândia paulistana e funcionou até 1955.



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