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DANIELA DORNELLAS - A estratégia como a nova estética: uma década ditando o ritmo do pensamento fashion no Brasil

  • 14 de abr.
  • 3 min de leitura

A mente por trás do maior hub de pensamento fashion do país revela por que o futuro do luxo depende menos da tendência e muito mais da gestão.

Por trás do glamour das passarelas e do frescor das tendências, existe uma engrenagem invisível que sustenta o ecossistema da moda: a estratégia. Se hoje o mercado brasileiro discute gestão com a mesma paixão que discute o corte de uma alfaiataria, muito se deve ao olhar disruptivo de Daniela Dornellas. Idealizadora do Fashion Meeting, Daniela não apenas criou um evento; ela fundou um fórum de inteligência coletiva que, há dez anos, serve como o "termômetro" definitivo do varejo e do luxo nacional.


Na 13ª edição do projeto, o tom é de provocação. Em um cenário onde a velocidade do algoritmo muitas vezes atropela o planejamento, Daniela defende que a marca é um espelho, um reflexo direto da capacidade do criador em equilibrar o desejo com o dado, a poesia com a planilha. Com uma trajetória marcada pela habilidade de unir pontas até então distantes do mercado, ela recebeu a VAM Magazine para uma conversa franca sobre o amadurecimento da moda brasileira, a ditadura do imediatismo e por que, no final do dia, o novo luxo não está na etiqueta, mas no tempo.


MARCA É ESPELHO

Na 13ª edição do Fashion Meeting, Daniela Dornellas provoca o mercado a se enxergar entre dados, desejo e decisões que definem o futuro.


ENTREVISTA

Daniela, o que na sua trajetória fez você entender que moda é, antes de tudo, estratégia, e não apenas estética? Percebi um movimento claro: não se trata mais apenas de lançar produto, mas de experiência, dados e conexão genuína com o consumidor. O varejo de moda viveu transformações profundas, onde tecnologia, personalização e propósito deixam de ser diferenciais e passam a ser premissas básicas para qualquer operação que pretenda ser relevante.


Em que momento você percebeu que o mercado brasileiro precisava de um movimento como o Fashion Meeting? A moda brasileira, pouco mais de uma década atrás, era um núcleo muito fechado, reservado e sem acesso para quem estava de fora. Onde muitos reclamavam e criticavam essa barreira, eu enxerguei uma oportunidade de negócio. Junto ao meu sócio, entramos na missão de lançar a primeira edição do Festival Fashion Meeting — que se tornou o nosso maior projeto.


A 13ª edição marca uma década de evolução. Como você enxerga esse legado? Sou grata por uma jornada longa de grandes conexões nascidas nos palcos do evento. O movimento é contínuo, mas ter na agenda esses pequenos e estratégicos encontros é vital. Não apenas para a minha vida, mas para cada participante; é algo estratégico e relevante para o fortalecimento do setor.


O Fashion Meeting deixou de ser apenas um evento e se tornou um hub de pensamento. Quando essa virada aconteceu? Acho que essa transição vem amadurecendo há mais de 8 anos. Foi um processo reflexivo. A mensagem intencional era fazer os empresários pararem para pensar. A moda nacional hoje é extremamente potente em criatividade, mas na gestão e operação, os números muitas vezes não são favoráveis para a saúde da marca por puro erro de gestão.


A moda hoje precisa ser mais corporativa para sobreviver? Sem dúvida. Como todo negócio, a moda também é sobre números. Não dá para sustentar uma marca apenas no "feeling" criativo sem o respaldo de uma estrutura corporativa sólida.

Qual é o maior erro estratégico que você observa nas marcas brasileiras atualmente? O binômio: não planejar e não gerir. Muitas marcas focam tanto no produto final que esquecem do processo e da viabilidade financeira daquela criação.


O que diferencia uma marca relevante de uma marca comum? Sem dúvidas, a identidade. É o que faz o consumidor escolher você em um mar de opções similares.


Como equilibrar criatividade e resultado financeiro dentro de uma marca? A gestão de produção é a etapa crucial para alcançar uma rentabilidade e margens maiores. É onde a criatividade encontra a viabilidade.


O consumidor evoluiu mais rápido do que as marcas? Sim, e cada vez mais o consumidor dita as regras do jogo. Hoje, o sentimento de pertencimento não é mais despertado apenas pelo lançamento de um produto, mas por toda a narrativa e valores que a marca carrega.


O que define o “novo luxo” hoje? É o tempo. O verdadeiro luxo hoje é você conseguir tornar o seu tempo produtivo e ter o controle sobre ele.


Se você tivesse que resumir o futuro da moda em uma única ideia, qual seria? E qual a sua mensagem para quem quiser participar da próxima edição? O resumo é: criatividade sem lucratividade de nada vale. Para quem quer participar da próxima edição do Fashion Meeting, o convite é para abrir a mente: venha pronto para entender que o futuro da moda se escreve com estratégia e coragem para se reinventar.


1 comentário


Stefan MC oni
Stefan MC oni
15 de abr.

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