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Marina Lima: Seguimos viagem com o seu novo álbum "Ópera Grunkie"

  • há 10 horas
  • 2 min de leitura

Aos 70 anos, a musa da modernidade brasileira orquestra um encontro entre o luto e a celebração em um disco dividido em atos, reafirmando por que sua "tribo" de mentes livres não para de crescer.

Foto: André Hawk
Foto: André Hawk

Poucas artistas conseguem manter o frescor da vanguarda enquanto carregam o peso de uma discografia histórica. Marina Lima é essa exceção. Em seu 18º álbum de estúdio, "Ópera Grunkie", que chega às plataformas no dia 24 de março, ela não entrega apenas música; ela entrega um manifesto de sobrevivência e sofisticação. O lançamento é o coração de um ano festivo que celebra suas sete décadas de vida, incluindo uma turnê comemorativa e projetos especiais.


O Universo "Grunkie"

O título não é por acaso. Estruturado como uma ópera, o disco mergulha no conceito de "grunkie", termo que Marina cunhou para definir sua rede de afetos. "Escolhi esse nome porque fala do universo de gente com quem mais gosto de estar", explica a artista. Para ela, ser grunkie é um estado de espírito: "Pessoas livres, inteligentes, talentosas e corajosas que aceitam as diferenças".

Ato I: A Elegia e o Sangue

O álbum abre com "Partiu", uma faixa que encoraja a busca pelo próprio destino com "doses de realidade". Mas é no primeiro ato que o disco atinge sua voltagem mais emocional. Em "Grief-stricken" e "Perda", Marina processa a partida de seu irmão, o poeta Antonio Cicero.

"É o momento que escolhi para representar o meu choque diante da decisão de meu irmão em partir. Fui pega de surpresa e tomada pela dor", confessa.

A faixa "Perda" conta com uma colaboração de peso: trechos de poemas de Cicero são recitados pelo filósofo Fernando Muniz e pelos imortais da ABL, Antônio Carlos Secchin e Eduardo Giannetti.


Ato II: Bossa, Reggaeton e Diversidade

O segundo ato traz o respiro e a mistura rítmica que são marcas registradas de Marina. Há desde a "bossa irresistível" de "Um dia na vida", com a participação de Ana Frango Elétrico, até um mergulho no "reggaeton" em "Olívia", música inspirada por uma macaca que viu no Instagram. Em "Samba pra Diversidade", ela presta homenagem ao Brasil com um samba lento, "à la Dorival Caymmi".

Ato III: O Encontro de Divas

O encerramento do álbum é um capítulo à parte, unindo Marina a Adriana Calcanhotto em duas faixas: "Só que não" e "Chega pra mim". A sintonia entre as duas é profunda. "Adriana seria a única pessoa, fora o Cicero, que daria conta do que eu buscava", revela Marina sobre a composição de "Só que não".


O disco ainda reserva surpresas na ficha técnica de "Collab Grunkie", que traz vozes de Fernanda Montenegro, Mano Brown e Joyce Pascowitch. A faixa nasceu de uma ação virtual onde a artista selecionou a base do músico Eraldo Palmero entre mais de 800 projetos enviados por fãs.

Com capa assinada pela atriz Natália Lage, "Ópera Grunkie" termina com a instrumental "Brahma Chopin", um brinde ao futuro. Como a própria Marina diz ao final da apresentação do álbum: "Agradeço e proponho seguirmos viagem". E nós, grunkies convictos, seguimos com ela.


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